domingo, 20 de maio de 2018


Pulando num pé só


Partidos que sempre se aliaram ao PSDB temem ser esmagados nas eleições. DEM, Solidariedade, PRB, PTB tentam encontrar alguém com mais votos. Se não encontrarem, vão com Alckmin mesmo. Coluna de Carlos Brickmann:

Quem tem boa posição nas pesquisas não tem partido para sustentá-la. Quem tem partido para sustentar uma candidatura não tem boa posição nas pesquisas. Lula tem boa posição nas pesquisas e um partido para apoiá-lo, mas está preso. Mesmo se for solto, não tem ficha limpa para se candidatar.

O eleitor vota em nomes, não em partidos. É verdade: mas entrar numa campanha com tempo reduzido de TV, consequência de atuar em partido pequeno, torna difícil crescer nas pesquisas. Pior: sem diretórios atuantes em todo o país, quem vigia as urnas de avançada tecnologia venezuelana?

O MDB, fortíssimo, tem Temer, que consegue ser mais impopular do que Dilma, ou Henrique Meirelles, que provavelmente nunca viu um pobre na vida. Bolsonaro cresceu, trabalha bem na Internet, fascina uma parte do eleitorado; mas, sem TV e sem líderes políticos distribuídos pelo país, que fará para crescer até virar majoritário? Marina já mostrou, em duas eleições, que é capaz de ganhar parte do eleitorado; e, nas duas, se mostrou incapaz de chegar ao segundo turno. Álvaro Dias? É um bom sujeito.

Alckmin foi quatro vezes governador, tem partido forte. Mas está mal na pesquisa. Como tem tempo de TV, pode chegar ao segundo turno.

Já Ciro é bom de palanque, tem carisma, só lhe falta um partido grande – como o PT. Mas o PT, imagine!, jamais apoiou nomes de outro partido.
As variações – centro

Alckmin é presidente do PSDB, governou seu Estado mais forte, São Paulo, foi candidato à Presidência, chegou ao segundo turno (onde Lula o destroçou). Mas não é o candidato dos sonhos do partido: há uma ala que prefere Doria. Partidos que sempre se aliaram ao PSDB temem ser esmagados nas eleições. DEM, Solidariedade, PRB, PTB tentam encontrar alguém com mais votos. Se não encontrarem, vão com Alckmin mesmo.
As variações – centrão

Melhor do que ganhar as eleições e ter responsabilidade de governo é ser amigo indispensável de quem ganhou, e ter do Governo apenas aquilo que é bom e lucrativo. É a estratégia do Centrão, comandado pelo deputado Rodrigo Maia (DEM – Rio) e que reúne parlamentares de várias bancadas, DEM, PP, PRB e PTB, todos loucos para oferecer sua gentil colaboração ao Governo, seja qual for, e desde que trabalhar desinteressadamente não seja tão desinteressado assim. Se não tiverem ninguém melhor, Alckmin. Ou, conforme o acordo, Bolsonaro. Mas pode ser outro, se for generoso.
As variações – bolsonaristas

Há políticos sinceramente bolsonaristas. Ele tem a imagem dura de que gostam e, ao mesmo tempo, não seria ditador. Mas muitos bolsonaristas prefeririam um militar – e sem perder tempo com eleições. Dariam ao novo regime sua experiência em manobras políticas e, em troca, aceitariam cargos nos quais pudessem servir ao país – ou, quem sabe, servir o país.
As variações – esquerda

Há a esquerda do Contra Burguês vote 16, e de outros partidos radicais, que devem apresentar seus candidatos em poucos segundos de TV. E há a esquerda clássica, que tem candidatos (PCdoB, Manuela d’Ávila; PSOL, Guilherme Boulos), mas adoraria entrar numa coligação com Lula à frente.
As variações – MDB

O MDB, há muitos anos o maior partido do país, não tem candidato presidencial desde 1994, quando Orestes Quércia foi derrotado. É melhor ser amigo do governante e usufruir as vantagens dessa ligação. Meirelles e Temer não empolgam: para o MDB é mais negócio ficar com o vencedor.
Sonho

Alckmin espera mobilizar ao menos seu partido e, com grande tempo de TV, subir rapidamente nas pesquisas. Espera também ser o candidato único do centro – aquele que terá a seu lado a maioria silenciosa para derrotar os radicais de esquerda ou de direita. Outro sonho é não ser ultrapassado, no seu próprio partido, por um candidato como João Doria, com mais pique.
Novo nome velho

Mas há quem tente lançar um novo nome de centro: o de Josué Gomes da Silva, filho do falecido vice-presidente de Lula, José Alencar. Josué diz que não é candidato, mas já criou um nome para usar como político: Josué Alencar. Josué seria um nome novo, mas filho de um político conservador que foi vice de um Governo que se apresentava como esquerdista. Alckmin, atento, já lançou a possibilidade de ter Josué como seu vice.
Essencial

Um caminho para progredir? Depois de amanhã, às 19h, o historiador Jaime Pinsky lança na Casa do Saber, em São Paulo, o livro “Brasil – o futuro que queremos”, reunindo especialistas em Educação, Saúde, Economia e outros temas. Pinsky é intelectual de peso, fundador da Editora Contexto e articulista do site Chumbo Gordo.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

Facebook condena ataques a agências brasileiras de checagem de dados

POLÍTICA LIVRE
Uma semana após iniciar uma parceria com agências brasileiras de checagem de dados, o Facebook divulgou uma nota criticando os “ataques” que as organizações têm sofrido de movimentos autointitulados de direita. Segundo a rede social, as agências verificadoras das chamadas fake news são certificadas e auditadas por uma instituição internacional apartidária. Nos últimos dias, após entrar em vigor a parceria, grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL) criticaram a iniciativa, classificada por eles como “censura”. O acordo foi assinado no último dia 10 de maio entre o Facebook e as agências Lupa e Aos Fatos. Se uma notícia compartilhada no perfil de um usuário é denunciada por internautas e confirmada como falsa pelas agências, o Facebook automaticamente reduz sua distribuição no Feed de Notícias e impede o impulsionamento dela. Em vídeo divulgado na última quarta-feira (16), o coordenador do MBL, Kim Kataguiri, disse que as agências são de esquerda e fazem a checagem de dados com “viés ideológico”. “Quando você vai ver quais são esses checadores, você vai ver que são pessoas absolutamente esquerdistas. Na verdade, todas as publicações com viés mais liberal, conservador e de direita, vão ser censuradas e ter seu alcance cortado e ninguém vai poder falar absolutamente nada”, afirmou.
Agência Brasil

Novos tratamentos a partir de pesquisas clínicas aplicadas em SC são esperança para pacientes com câncer


DIARIO CATARINENSE
Novos tratamentos a partir de pesquisas clínicas aplicadas em SC são esperança para pacientes com câncer Diorgenes Pandini/Diario Catarinense
Dona Maria Madalena venceu o câncer de mama graças a um novo tratamento experimental
Foto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinense
— Quando eu morrer vão dizer, "agora foi mesmo? Já tavas fazendo hora extra aqui, nêga!"
É com bom humor e o típico sotaque peixeiro de Itajaí que, hoje, a dona de casa Maria Madalena Gomes de Mattos, 60 anos, recorda o longo caminho entre a descoberta do câncer de mama em 2008, o diagnóstico de total desesperança quando a doença voltou em 2009 e a notícia de que estava curada. Desde o início dessa batalha já se passaram quase 10 anos, mas que poderiam ter sido apenas três se ela não tivesse tomado uma decisão radical: participar de uma pesquisa clínica com um novo tratamento, sem nenhuma garantia de sucesso.
A oferta, indicada pelos médicos que a acompanhavam, veio depois de um tratamento agressivo quando o tumor apareceu pela primeira vez, já em estágio avançado, não surtir mais efeito. Tinham sido oito sessões de quimioterapia vermelha e uma cirurgia que retirou toda a mama esquerda, insuficientes para impedir o retorno do câncer no mesmo local, em outubro de 2009. Desenganada, sem nada a perder, Maria se reuniu com as cinco filhas e anunciou que tinha escolhido arriscar.
Sem nenhum custo, durante seis anos ela fez sessões de quimio a cada três semanas, mas com medicamentos e reações muito menos violentas ao organismo e com uma resposta muito mais efetiva ("parecia que era tratamento com uma vitamina, com água com açúcar. Chegava em casa e ia passar roupa, lavar a louça"). Os cabelos, que tinham caído nas sessões de 2008, começaram a voltar timidamente e não foram mais embora. Há três anos é considerada oficialmente curada e os remédios que usava foram liberados para comercialização em todo o mundo — em grande parte graças a ela, uma das duas "cobaias" do estudo no Brasil e a única em Santa Catarina.
As portas que se abriram para dona Maria — e que estão abertas a muitos outros pacientes oncológicos — foram as do Centro Novos Tratamentos Itajaí, que faz da cidade portuária do Litoral Norte uma das referências em aplicação de pesquisa clínica no país, principalmente relativa ao câncer. A cidade é, por exemplo, a única catarinense a figurar entre as que têm estudos sobre câncer colorretal e sobre dor oncológica, ambos com apenas mais 15 no país. No câncer de pulmão, há um tipo de tratamento feito só em Itajaí entre os municípios do Estado, com somente mais 11 iguais em todo o Brasil. Atualmente são sete protocolos de pesquisa recrutando pessoas no centro itajaiense: imunoterapia para câncer de pulmão e para câncer de bexiga, terapia específica para câncer de cólon e reto metastático e anticorpo para dor em paciente com câncer, além de estudos de lúpus, doença de Crohn e artrite reumatoide.
Tratamento experimental gratuito
 ITAJAI, SC, BRASIL, 29.04.2018: NOS. Novas formas de tratamentos a doenças como câncer em Itajaí.  (Foto: Diorgenes Pandini/Diario Catarinense)Indexador: Diorgenes Pandini
Foto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinense
Para quem participa dos estudos, o tratamento é totalmente gratuito durante a pesquisa. Quando o protocolo termina, o fornecimento dos remédios também continua sem custos se o tratamento ainda estiver gerando melhora para o paciente. Ou seja, se não for alcançada exatamente a cura, mas o estudo apresentar resultados satisfatórios para manter sob controle ou diminuir o tumor, o paciente segue recebendo o tratamento enquanto esse benefício durar.
É o que acontece há três meses com José Carlos da Silva, 65 anos. Graças a um protocolo oferecido e já encerrado no Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon), em Florianópolis, ele vive há quase sete anos com um câncer de pulmão, hoje estabilizado. Ele começou o tratamento com químio convencional em Tubarão, onde mora, em 2011. Sem sucesso no controle da doença após quase cinco anos, foi encaminhado para um protocolo de pesquisa na Capital.
— O câncer dele já tinha metástase, ele tinha tentado todos os tratamentos disponíveis e a pesquisa era a última oportunidade para ele — lembra a doutora Carolina Dutra, oncologista no Cepon e que acompanhou o tratamento de José Carlos em Florianópolis.
Como tem casa de praia em Governador Celso Ramos, a logística não foi tão complicada para ele. Foram então dois anos trocando as longas sessões quimioterápicas por imunoterapia. Neste método, o remédio não atinge diretamente o tumor, como fazem a quimio e a radioterapia, mas sim ativa o próprio sistema imunológico do paciente para que ele combata as células cancerígenas.
— Com esse não sinto náuseas, não caiu o cabelo. Chego em casa e vou cortar grama, antes tinha que deitar e ficar duas horas descansando. Não tinha mais o que fazer, era a única saída. E mudou minha vida do dia pra noite — conta José Carlos, que com o fim do protocolo em fevereiro de 2018, segue recebendo a medicação porque está conseguindo manter o tumor estável, em nível satisfatório.
Laudos rápidos e precisos
 ITAJAI, SC, BRASIL, 29.04.2018: NOS. Novas formas de tratamentos a doenças como câncer em Itajaí.  (Foto: Diorgenes Pandini/Diario Catarinense)Indexador: Diorgenes Pandini
Responsável técnico do laboratório, doutor Daniel Cury OgataFoto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinense
A presença de um laboratório de medicina patológica em Itajaí, especializado em diagnóstico, também reforça a posição de referência da cidade, embora trabalhe separado do Centro Novos Tratamentos. A clínica InfoLaudo é uma das três únicas do Sul do Brasil a ter um equipamento que consegue definir diferentes tipos de tumores, por meio de análise molecular mais precisa. Isso é importante principalmente por determinar prognósticos de determinados cânceres e também consegue eleger tratamentos mais eficazes, dependendo do tipo de tumor.
Até 2014 esse aparelho só estava disponível em centros maiores, como São Paulo, o que dificultava a agilidade dos laudos. Todas as análises tinham que ir para fora, entravam numa fila de processos e até retornar a Santa Catarina, demorava até 45 dias.
— Não se pode mais pensar em um prazo tão grande assim. O paciente com câncer tem pressa, por uma série de motivos quanto antes começar o tratamento, melhor a resposta. Hoje os laudos saem em questão de dois duas, às vezes no mesmo dia e em uma semana no máximo em casos mais difíceis — diz o responsável técnico do laboratório, doutor Daniel Cury Ogata.
Até o momento o InfoLaudos faz atendimentos particulares e por convênios, mas em alguns casos específicos, como no câncer de pulmão, é possível ter todos os exames gratuitos. Para isso, o paciente deve buscar informações com seu médico oncologista para conferir o procedimento e ver se o caso se enquadra nos programas para obter a gratuidade.
Até abril deste ano, o laboratório já tinha dado cerca de 300 diagnósticos de câncer com esse novo equipamento que agiliza o processo, contra 270 em todo o ano passado.
— A procura tem crescido. Além da rapidez, a precisão é um benefício muito importante. Há uma vasta gama de tratamentos e terapias e você tem que escolher, eleger a melhor para o paciente, o mais rápido possível — pontua Ogata.
EUA e Europa dominam campo da pesquisa
A principal indicação da pesquisa clínica é para doenças em que não há um tratamento definitivo, de excelência e 100% eficaz, como vários tipos de câncer e o mal de Alzheimer, entre outras enfermidades. São casos diferentes, por exemplo, de um braço quebrado, em que a medicina já tem padrões consolidados e largamente comprovados para resolver o problema.
Cerca de metade de todas as pesquisas clínicas nascem nos Estados Unidos e outros 30% vem da Europa, sendo aplicadas em vários países ao redor do mundo a partir de lá. Nestas regiões, após desenvolvidos os medicamentos, são feitos os testes pré-clínicos em animais. Vencida esta etapa, ocorre também nos EUA e Europa a primeira das quatro fases de testes clínicos — agora já em humanos. Estes primeiros pacientes são literalmente as cobaias humanas, uma vez que os remédios passaram apenas por ajustes após aplicações em animais, e portanto não se sabe com certeza a reação em pessoas.
Nas duas fases seguintes, os novos tratamentos já se espalham por outros lugares, incluindo o Brasil e por consequência Itajaí. A etapa dois já consiste na adequação de doses, e a etapa três é quando se compara o novo tratamento com o que se tinha de convencional até então — já sabendo que a novidade "não mata". A comercialização começa geralmente quando o medicamento ou a terapia chegam ao estágio três, mas há casos em que isso é feito já na segunda fase.
— O câncer de pâncreas é um dos piores tumores, com baixa expectativa de vida. Se alguém fizer um estudo e na fase dois os pacientes já vivessem mais cinco anos, sairia para comercialização, porque é uma doença muito carente de tratamento — exemplifica o diretor do Centro Novos Tratamentos Itajaí, o médico oncologista Giuliano Santos Borges.
A fase quatro vem com o remédio já aprovado e comercializado e é feita para observar características adicionais. Um dos casos foi o Viagra, em que na etapa quatro se constatou que ele traria benefícios para a hipertensão pulmonar.
Os estudos são enviados por norteamericanos e europeus conforme a incidência do tipo de câncer em outros países e a distribuição do número de protocolos por país leva em conta a facilidade de recrutamento. Por um lado, o Brasil sofre com a burocracia para aprovações e liberações e também está longe de ser um exemplo de produção científica na área — até hoje, nunca patenteou aqui nenhum medicamento contra o câncer. Por outro, porém, o país se beneficia por contar com médicos bem conceituados e bem relacionados internacionalmente e por ter uma grande, multiétnica e miscigenada população, o que é bom para compreender variáveis no comportamento dos tratamentos.
 ITAJAI, SC, BRASIL, 29.04.2018: NOS. Novas formas de tratamentos a doenças como câncer em Itajaí.  (Foto: Diorgenes Pandini/Diario Catarinense)Indexador: Diorgenes Pandini
Diretor do Centro Novos Tratamentos Itajaí, o médico oncologista Giuliano Santos BorgesFoto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinense
Burocracia, morosidade e cultura acadêmica
A pesquisa ainda enfrenta diversas barreiras no Brasil. A primeira delas é a própria cultura do país em relação à informação sobre a doença, tanto na disponibilização dela para os pacientes quanto na procura por parte da população. Nos Estados Unidos há um banco de dados do governo, fornecido pela Biblioteca Nacional e atualizado por médicos de todo o mundo, com estudos abertos e concluídos em todos os países. Há inclusive obrigatoriedade de que os profissionais da medicina norteamericana deem publicidade a protocolos de pesquisa, justamente para que as pessoas tenham conhecimento e a liberdade de escolher entre a quimioterapia e o estudo.
— Aqui, quando se fala de câncer logo vem a ideia de químio tradicional. A população não tem acesso para pesquisar novos medicamentos que estão sendo testados, não tem um banco de dados disso. Então para divulgar são nichos locais, literalmente é conhecer alguém, lembrar e indicar. Fica uma coisa quase paternal — lamenta o doutor Giuliano.
Outros grandes entraves brasileiros são a burocracia e a morosidade. Assim como aqui, todas as pesquisas nos Estados Unidos e Europa passam pelo comitê de ética e por todos os órgãos regulatórios médicos e sanitários. Mas enquanto lá demoram no máximo três meses para aprovar ou negar a sequência do estudo, no Brasil esse prazo muitas vezes supera um ano.
Além disso, a pesquisa com o objetivo de desenvolver novos medicamentos não tem grandes avanços até agora. Como dito anteriormente, o Brasil nunca descobriu um remédio para a doença. A maioria dos estudos se concentra em questões paralelas, como a incidência de determinados tipos de câncer na população brasileira.
Uma das consequências desse cenário ainda desfavorável aos estudos no país é o preço dos medicamentos e procedimentos do câncer quando eles chegam à comercialização, o que também inviabiliza que eles sejam absorvidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e distribuído gratuitamente. Partindo de dezenas de milhares de reais, são ironicamente liberados ao mercado após terem sido aprovados em testes com muitos... brasileiros.
— É um absurdo pagar tão caro (por tratamentos contra o câncer), mas se paga isso porque a gente não sabe produzir, sequer copiar. Uma forma imediata de baixar custos é aumentar pesquisa. Espera-se mais tecnologia, para que se comece a produzir remédios nossos e aí vai ganhar dinheiro vendendo a nossa tecnologia — destaca o doutor Giuliano.
Segundo o Ministério da Saúde, é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que formula e executa a regulação sanitária para a condução de pesquisas clínicas, implementando e monitorando os testes em conformidade com as Boas Práticas Clínicas, que são "padrões internacionais de qualidade éticos e científicos para o desenho, condução, performance, monitoria, auditoria, registro, análises e publicação de ensaios clínicos". A aprovação pela Anvisa é também necessária para ensaios clínicos com medicamentos e produtos para a saúde que são fabricados em outros países e, portanto, necessitam autorização para serem importados.
O ministério também afirma que as exigências da Anvisa estão alinhadas às melhores práticas internacionais e garante que o governo federal e os órgãos competentes têm buscado um melhor acompanhamento e entrosamento com o processo de condução de um protocolo de pesquisa clínica como um todo. No âmbito do Ministério da Saúde, foi publicado, em março deste ano, o Plano de Ação de Pesquisa Clínica no Brasil, com o objetivo de aumentar a capacidade do país em desenvolver e atrair ensaios clínicos.
 ITAJAI, SC, BRASIL, 29.04.2018: NOS. Novas formas de tratamentos a doenças como câncer em Itajaí.  (Foto: Diorgenes Pandini/Diario Catarinense)Indexador: Diorgenes Pandini
Foto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinense
Univali tem pesquisa a partir da biodiversidade
Indo ao encontro dessa ideia de ampliar a pesquisa no país, embora com viés um pouco diferente, universidades do próprio Estado também se envolvem em atendimentos e estudos sobre o câncer. Um dos principais exemplos é a Rede Iberoamericana de Investigação em Câncer, que reúne grupos de países como Espanha, Panamá, Costa Rica, Chile e Guatemala e é coordenada pela Univali, de Itajaí, desde a criação, em 2012. O professor e reitor da Univali, Valdir Cechinel Filho, coordenada a Rede e afirma que o foco é a descoberta de novas formas de tratamento que façam parte da biodiversidade terrestre e marinha da América do Sul e Central — portanto com foco diferente da pesquisa clínica, que trabalha com tecnologia em laboratório.
Uma das descobertas recentes, divulgada há três anos, envolve o bacupari boliviano, também conhecido como achachairu — uma fruta exótica semelhante à ameixa-amarela e mais doce do que a sua versão nativa. Em testes feitos em laboratório, a árvore desta fruta demonstrou bons resultados contra linhagens de células cancerígenas, em especial em casos de próstata, mama e rim. O estudo teve parceria de pesquisadores da Unicamp. Foram testados diferentes partes da planta e os melhores resultados obtidos foram com os galhos.
O reitor chama a atenção para o fato de que, embora os resultados tenham sido promissores, inclusive com publicações em periódicos internacionais, é preciso cautela sobre o uso da planta em humanos pela necessidade de aprofundar os experimentos e pela falta de estudos sobre possíveis efeitos tóxicos. Tampouco o consumo da fruta pode trazer benefícios anticâncer, já que esses resultados ainda iniciais foram obtidos com partes da árvore.
Atualmente, as substâncias estão passando por estudos complementares no Centro de Investigação em Câncer da Universidade de Salamanca, na Espanha. Ainda assim, o resultado é uma das mostras de contribuição de pesquisadores da universidade com a busca por novas formas de tratamento da doença.
— Ter a Univali à frente da Rede é algo muito gratificante. A universidade cumpre sua missão de produzir e socializar ciência na área da saúde, podendo viabilizar subsídios para o futuro desenvolvimento de novos e efetivos agentes anticâncer — avalia o reitor.
No caso do bacupari boliviano, o cultivo da planta também tem relação com o Estado. As amostras usadas nas pesquisas da universidade vieram da propriedade de Walnir e Heloísa Machiavelli, em Camboriú. Quando compraram o sítio, há 15 anos, a espécie exótica — que a produtora prefere chamar de achachairu — já havia sido plantada pelo antigo proprietário, um boliviano. Eles decidiram apostar no cultivo. Hoje, possuem 16 árvores que, entre dezembro e março, produzem entre 600 e 900 quilos do fruto, que é consumido in natura, em sucos e geleias.
Os agricultores não tiveram contato com a pesquisa, apenas cederam as sementes, frutos e parte das árvores para os estudos, e não sentiram mudanças depois da divulgação dos resultados iniciais. Ainda assim, a novidade foi bem recebida pelos produtores.
— A gente sempre fica muito satisfeito. Não sabemos como estão esses estudos hoje, mas tudo que puder ser feito para ajudar é muito importante — afirma Heloísa.
Pacientes como Maria Madalena e José Carlos sabem muito bem a importância de toda e qualquer ajuda que a pesquisa proporciona. Assim como, possivelmente, centenas de milhares de pessoas pelo mundo, um dia, ainda vão saber. E agradecerão por alguém ter aceitado ser laboratório de si mesmo para que elas também tivesse uma chance.

LUIZ ARGÔLO QUER PARCELAR DÍVIDA COM A LAVA JATO EM 152 VEZES


O ex-deputado baiano, Luiz Argôlo, ex-PP, propôs à Justiça Federal, no Paraná, parcelar uma dívida de R$ 1.952.691,30 com Justiça, na Operação Lava Jato, em 152 meses, aponta o Estadão. Condenado a 12 anos e oito meses de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-parlamentar tem de pagar R$ 1.323.597,62 por reparação do dano e ainda uma multa de R$ 629.093,68.
A juíza Carolina Moura Lebbos, da 12.ª Vara Federal, vai analisar a proposta. O Ministério Público Federal se manifestou contra o parcelamento solicitado pelo ex-deputado. Argôlo foi preso em abril de 2015 e cumpre pena atualmente em um presídio de Salvador.

AGU obtém liminar que proíbe bloqueio de rodovias por caminhoneiros no Paraná


BLOG DO CAMINHONEIRO

O juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da Seção Judiciária do Paraná, concedeu na tarde deste sábado (19) uma liminar que proíbe eventuais bloqueios de rodovias federais no estado, sob pena de multa de R$ 100 mil por hora de interdição.
A decisão judicial foi tomada em resposta a uma ação de interdito proibitório movida pela Advocacia Geral da União (AGU), que, por sua vez, foi acionada pela Superintendência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Paraná.
Entidades representativas de caminhoneiros agendaram para a manhã desta segunda-feira (21) uma série de manifestações contra os sucessivos reajustes dos preços dos combustíveis. Os protestos teriam início às 6 horas da manhã e duração prevista de até 72 horas.
“É imprescindível que seja concedida a medida liminar neste interdito proibitório para que os réus se abstenham de desencadear qualquer movimento […] que não seja pacífico e que importe a prática de atos ilícitos, dentre os quais a obstrução completa da faixa de rolamento”, diz trecho da decisão judicial.
Em seu despacho, o juiz admite a eventual possibilidade de manifestações em meia pista nos trechos de pista dupla, desde que não haja bloqueio total das rodovias federais. “Os manifestantes não poderão obstruir integralmente o tráfego em ambos os sentidos.”
São réus no processo a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens no Estado do Paraná (Sindicam) e o Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas de São José dos Pinhais (PR), entre outros.
Filas e risco de acidentes
Em ofício remetido à AGU na última sexta-feira (18), a Polícia Rodoviária Federal alerta que a interrupção do fluxo de veículos, ainda que parcial, representa uma violação ao direito de locomoção.
“Milhares de pessoas, de um momento para outro, ficam “presas” em engarrafamentos quilométricos, ficando várias horas, sob condições climáticas diversas (forte sol, chuva), desprovidas de condições de subsistência básicas, tais como água, alimentação, local para necessidades fisiológicas, medicamentos, dentre outros”, diz o documento, assinado pelo Núcleo de Apoio Técnico da PRF no Paraná. “A ocupação em tela coloca em risco a integridade física e a vida dos usuários da rodovia, que, cabe destacar, trata-se de via de trânsito intenso, altas velocidades, veículos pesados, cargas perigosas, em que o risco de acidentes graves de trânsito fica sobremaneira potencializado.”
No documento, a PRF observa que não pretende impedir protestos ou manifestações, mas proteger a segurança das pessoas e garantir a fluidez do tráfego.

Greve de caminhoneiros acontecerá mesmo com proibição da justiça


BLOG DO CAMINHONEIRO

A greve dos caminhoneiros marcada para começar a partir da meia noite de hoje para amanhã terá apoio de caminhoneiros autônomos, sindicatos e empresas de transporte em todo o país. O movimento grevista está mantido, mesmo com as proibições impostas contra os bloqueios nas rodovias Presidente Dutra e em estradas do Paraná.
Após o anúncio da paralisação dos caminhoneiros autônomos pela Abcam, milhares de caminhoneiros, além de diversas empresas e sindicatos se mostraram favoráveis ao movimento, inundando as redes sociais com informações sobre locais das movimentações.
Neste final de semana, a greve foi um dos assuntos mais comentados nas redes sociais, e amplamente divulgado pela mídia em todo o Brasil. As notícias da greve foram divulgadas também por agências internacionais. A repercussão do movimento é muito grande, e é esperada uma das maiores greves que já se viu no Brasil.
A população em geral também apoia os caminhoneiros, pois os aumentos do diesel impactam diretamente toda a população, pelo aumento dos fretes e da inflação no geral.
A Abcam publicou hoje uma carta aos caminhoneiros, pedindo novamente que o movimento grevista seja pacífico, sem bloqueios de rodovias, danos ao patrimônio público ou prejuízos a terceiros. A entidade pede que os caminhoneiros fiquem em casa, ou, se estiverem na estrada, permaneçam parados em postos de combustíveis e outros locais seguros.
A entidade esperava que o governo divulga-se algum posicionamento até a sexta-feira passada sobre a greve e possíveis soluções para redução dos valores do diesel, mas, como não houve resposta, manteve a convocação para que a greve aconteça.
Neste domingo, em dezenas de cidades de todo o país, caminhoneiros já estão se mobilizando para iniciar o movimento paredista para amanhã. Publicações nas redes sociais mostram caminhoneiros do Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Ceará, Minas Gerais e outros estados em movimentação intensa para participarem da greve.
De acordo com os caminhoneiros, a greve será a solução para redução do valor do diesel, mas precisa do apoio geral dos caminhoneiros e da população.
Veja a carta da Abcam na íntegra:
Meus companheiros estradeiros, bom dia. Estamos nos aproximando de segunda-feira, e pelo que percebo, várias manifestações em âmbito nacional serão deflagradas. Por isso, venho a público expressar a nossa preocupação para que estas manifestações ocorram de forma pacífica e, principalmente, tranquila. Não precisamos fechar estradas, colocar fogo em pneus ou até mesmo pôr em risco o patrimônio de terceiros. Portanto, venho, mais uma vez, reiterar que a ABCAM, entidade formada pelas federações dos Estados de SP, SC, RS, RJ, MG e PE e por sindicatos espalhados por todo o território nacional, defende uma manifestação onde todos permaneçam em suas casas ou, no caso daqueles que estejam em trânsito, parem em locais seguros e não participem de eventos que coloquem em risco o patrimônio alheio, nem bloqueem rodovias ou praças de pedágio.
Os manifestantes e entidades de bem e que querem um movimento pacifico não poderão pagar por qualquer tipo de agressão que ameace ou ponha em risco as posses dos brasileiros. Com isso,quero dizer que não nos responsabilizaremos por atos irresponsáveis ou pela ação de baderneiros infiltrados em nossa manifestação com finalidades políticas ou alheias as nossas reivindicações.
Vale lembrar que a concessionária CCR Nova Dutra conseguiu liminar favorável à petição de Interdito Proibitório contra qualquer tipo de evento que venha bloquear rodovias no Estado de SP, RJ e MG, sob pena de multa no valor de R$ 300 mil reais em caso de descumprimento, principalmente nas praças de pedágios.
Meus companheiros, mais uma vez apelo ao bom senso de todos para que permaneçam em suas casas ou, no caso daqueles que estejam em trânsito, fiquem em postos de combustíveis, em segurança, e sem fechar rodovias ou participar de movimentos violentos.
Peço a proteção de Deus para que todos fiquem bem. Boa sorte a todos nós
José da Fonseca Lopes, Presidente da Abcam

Penso o seguinte

Jornal Gazeta do Povo de Curitiba.*
*Por Ricardo Andrade*
*Penso o seguinte:*
*O voto no Bolsonaro não é um voto na etica, moral e bons costumes... é sim em tudo isso e muito além, é o voto anti Maduro, anti Lula, anti Zé Dirceu, é o voto anti Gilmar Mendes, Levandowiski, anti Sarney, Renan Calheiros, Jucá, etc... É o voto anti esquerda PSOL, Boulos, anti protesto de 15 pessoas que param o centro de São Paulo inteiro, é o voto anti bandido de moto roubando celular as 6 da manhã em ponto de onibus e saindo ileso, é o voto a favor da PM que só apanha da imprensa.*
*É o voto de quem não liga prá maconha mas nao quer o bando de maconheiro fumando na frente do seu portão e rindo da sua cara que não fuma.*
*O voto no Bolsonaro é o voto do brasileiro comum, aquele cara normal, que trabalha, tem seu carro, seu trabalho, que fica puto com o aumento da gasolina e gás de cozinha, que hoje tá preocupado com febre amarela e o preço do livro dos filhos que vai começar as aulas...*
*Essa gente, mesmo sem estudar demais, sabe que ninguem vai ser santo, mas sabe que o único que ta ai falando a verdade, batendo de frente, mostrando o rosto sem se esconder como faz uma Marina Silva, um João Amoedo... Alckmin, é o Bolsonaro.*
*Que pesando funcionário de Angra, quantidade de viagens, imóveis na Baixada, e em Brasilia, vê que o deputado tem padrões morais e éticos que os outros não apresentam e não gostam de ser relacionados.*
*Os "bolsominions" ao qual creio estar dentro, sabem que ele é a barreira entre um governo difícil e o governo fácil que nos levará a ser a próxima Venezuela.*
*Quero minha arma, quero bandido morto, quero o fim da propaganda estatal, quero o fim de dinheiro prá ONG´s.*
*Voto em Bolsonaro sim, queremos um Governo de Direita no Brasil, chega de esquedeopatas socialistas comunistas que nada fizeram pelo povo brasileiro desde os governos militares!*
*Basta queremos mudança já!!!*
*Do jornal Gazeta do Povo de Curitiba!*
*Por Ricardo Andrade*

Militares candidatos terão projeto unificado e Mourão como cabo eleitoral

Militares candidatos terão projeto unificado e Mourão como cabo eleitoral
Luis Kawaguti
Do UOL, no Rio
Um grupo de militares organizados pelo general da reserva Antônio Hamilton Martins Mourão em torno do Clube Militar vai desenvolver diretrizes de programas de governo e pautas no Legislativo de cerca de 70 militares pré-candidatos às eleições de 2018 - entre eles, postulantes à Câmara e Senado, governos e assembleias estaduais. Mourão disse ao UOL que, se eleitos em número suficiente, a ideia é formar uma bancada militar no Congresso.

A articulação, com pré-candidatos em todos os estados, é inédita após a ditadura militar. O Clube Militar, que tem como sede um prédio na Cinelândia, na região central do Rio de Janeiro, deve funcionar como um centro para essa articulação e divulgação das candidaturas.
O general, que integrou o Alto Comando do Exército e deu declarações polêmicas entre 2015 e 2017 (criticando o governo Dilma Rousseff e sugerindo uma intervenção militar no governo), avalia que chegou a hora de os militares retornarem ao poder pelas vias democráticas. "Agora não resta dúvida de que a sociedade está clamando por isso", afirmou.

Filiado ao PRTB, ele diz que não se candidatará a cargo público, mas atuará como articulador e usará sua imagem para ajudar nas campanhas dos colegas. Candidato único à presidência do Clube Militar, Mourão deve ser eleito por aclamação no fim deste mês.
Fundado em 1887, o clube é uma instituição privada que reúne militares da reserva e da ativa e tem funcionado como órgão representativo, pois eles não podem formar sindicatos. Seu passado é marcado por intenso envolvimento político, como nas campanhas abolicionista e republicana, mas, desde a ditadura militar, o clube vinha evitando a política (exceto ao se manifestar contra os resultados da Comissão da Verdade em 2014).

Os pré-candidatos, que pertencem a legendas cujo espectro político abrange da direita ao centro (PSL, PR, DEM, PSD, PROS, PSDC, PRP, PTB, PEN, PHS, NOVO, Patriotas, PRTB e PSDB), pretendem lançar mão de financiamento coletivo na internet e das redes sociais para divulgação.
Independentemente das siglas, a maioria deve apoiar o pré-candidato à Presidência pelo PSL Jair Bolsonaro que, segundo a última pesquisa (CNT/MDA), lidera a corrida eleitoral com 18,3% das intenções de voto em um cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso desde abril na carceragem da PF em Curitiba.
Os programas abordarão temas como o combate à corrupção, integração da segurança pública e privatização de estatais. Mourão diz ver com ressalvas programas sociais de renda, uma das principais políticas dos governos de Lula e Dilma Rousseff.

O movimento acontece em um momento em que as Forças Armadas estão em evidência na intervenção federal no Rio de Janeiro (chefiada por um general da ativa) e no socorro humanitário a imigrantes venezuelanos em Roraima. E ocorre após o comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, publicar mensagem no Twitter na véspera do julgamento pelo STF (Supremo Tribunal Federal) de habeas corpus que poderia evitar a prisão de Lula - para analistas, a mensagem teve influência na decisão.
Também ocorre em cenário marcado pela divulgação dos chamados papéis da CIA, documentos da agência de inteligência americana que indicam o aval de ex-presidentes militares brasileiros, como Ernesto Geisel, para assassinatos de opositores do regime militar.

O Exército afirmou, porém, que apesar dos postulantes terem origem militar, não possui qualquer ligação com as pré-candidaturas. O Centro de Comunicação Social do Exército afirmou ao UOL que "o Exército Brasileiro é uma Instituição de Estado, politicamente neutra e apartidária". "O posicionamento da Força baseia-se sempre nos interesses nacionais e o seu emprego é imparcial, com foco nas missões constitucionais", disse, por meio de nota.

Movimento militar e eleições

Nas eleições de 2010, alguns oficiais do Exército, da ativa, reserva e simpatizantes, tentaram articular um movimento para participar democraticamente do pleito à Presidência. "Naquele momento surgiu a figura do general [Augusto] Heleno [Ribeiro Pereira], pela inteligência, pela capacidade de diálogo, pela argumentação, pela liderança inconteste que ele tem até hoje", disse Mourão.
Heleno foi o primeiro comandante brasileiro da missão de paz da ONU no Haiti e se envolveu em polêmicas ao contestar ações do governo Lula. Os organizadores do movimento chegaram a dizer que ele tinha mais de 5 milhões de potenciais eleitores. Mas o general, que era da ativa, afirmou na ocasião que não seria digno se aproveitar do poder e prestígio que tinha no Exército para se lançar em uma candidatura. Ele nunca se candidatou a nenhum cargo. Um partido militar chegou a ser formado, mas não avançou.

Nas eleições de 2010, quase não houve candidatos militares significativos e, em 2014, o desempenho deles foi modesto. Mas, segundo Mourão, a deterioração do cenário político com os escândalos de corrupção e o fortalecimento da candidatura de Bolsonaro criaram em 2018 um ambiente mais favorável para os militares.
Contudo, um oficial mais cético, que pediu para não ter o nome revelado, vê certo exagero na animação dos colegas. Segundo ele, alguns pensam que apenas os seus nomes ligados às Forças Armadas serão suficientes para elegê-los. "Não vai ser tão fácil assim. As campanhas são complexas e nós não temos proximidade com a política. Somos cartesianos e algumas coisas não vamos querer fazer", disse o militar.

Plataforma e valores comuns
Mourão observa que, apesar da singularidade de cada estado brasileiro, as plataformas a serem elaboradas terão linhas de ação em comum.
"Nós temos condições de organizar a plataforma que irá orientar os nossos diferentes candidatos em todos os estados da federação. Não resta dúvida que a gente sabe que cada caso é um caso, cada estado tem a sua problemática, mas as soluções passam na maioria das vezes pelas mesmas linhas de ação", disse Mourão.
"Os nossos candidatos estão aí em sua grande maioria em partidos ligados à direita e, na realidade, eu acho que o elo comum que nos une são todos aqueles valores que nós viemos praticando desde o momento que ingressamos na instituição militar", disse, em referência a valores como honra, integridade, patriotismo e sacrifício, bastante explorados pelo próprio Bolsonaro.
Segundo Mourão, os pré-candidatos vão dar atenção a temas como o combate à corrupção, a alta carga tributária do país, a otimização dos gastos públicos e o combate à criminalidade em todo o país de forma organizada.
O general Roberto Peternelli (PSL), que tem organizado listas e feito os contatos no grupo, diz que há outras bandeiras comuns, como a defesa da propriedade privada e o estímulo da privatização de empresas estatais.
Mourão diz que programas sociais de renda e habitação são importantes, mas não podem beneficiar eternamente quem os usa. "A partir de determinado momento, aquela pessoa vai ser liberada dessa ajuda e vai caminhar com as suas próprias pernas. Infelizmente, a nossa população, parcela dela, tem aquela tendência de ficar aguardando que o côco caia na cabeça, não pode ser assim."
Para tornar as candidaturas viáveis, os militares devem recorrer a campanhas de financiamento coletivo, o crowdfunding. Para a divulgação, eles afirmaram que confiarão no potencial das redes sociais e do boca a boca. Mourão disse que vai reforçar a divulgação desses pré-candidatos usando as redes sociais, a revista e as reuniões do Clube Militar.

Bancada militar
"Existe um termo usado na Brigada Paraquedista que diz que aves da mesma plumagem voam juntas. Esse grupo militar que eventualmente for eleito vai ser uma bancada, apesar de pertencer a diferentes partidos", disse Mourão.
Ele também não descartou que militares eleitos se aproximem simultaneamente a outras bancadas, como a ruralista.
Em 2017, Mourão foi muito criticado por sugerir a possibilidade de uma intervenção militar no governo. Ele disse que, se as instituições civis não solucionassem o problema político do país retirando da vida pública pessoas envolvidas com atos ilícitos, "nós [militares] teremos que impor uma solução".
Ao ser perguntado pelo UOL se há alguma possibilidade de os militares voltarem ao poder por vias não democráticas, Mourão afirmou: "uma coisa tem que ficar muito clara: se o país flertar com o caos, é dever constitucional das Forças Armadas garantir os poderes e garantir a lei e a ordem".
Como exemplo de caos, citou o que vê como "desrespeito à legislação vigente". "Nós temos um caso agora que poderia ter levado ao caos, vamos olhar aí essa questão do julgamento feito pelo STF do foro, a questão do foro, esse é um troço que deveria ter sido resolvido pelo Congresso e não pelo STF". Neste mês, o Supremo Tribunal Federal restringiu, mas não acabou completamente com o foro privilegiado de políticos.
Mas, questionado como os militares poderiam voltar ao governo, Mourão respondeu: "vamos chegar pelas urnas".

As injustiças

As injustiças
Fui amigo e defensor do saudoso Cel. do Exército Brasileiro Carlos Alberto Brilhante Ustra e repilo totalmente, indignado, a calúnia dita pelo missivista Márcio M. Carvalho ('As ordens de Geisel e o radicalismo') que em sua carta aqui publicada o chamou de 'facínora' injuriando sua honradez e saudosa memória quando escreveu maldosamente que ele teria "manchado a farda honrada do Exército Brasileiro" !
Mentira, mentira, mentira !!
O Ustra que conheci jamais desonrou a farda que vestiu e muito pelo contrário, fiel a ela, foi condecorado por seu exército em reconhecimento aos seus serviços ao longo de toda uma vida na defesa do Brasil contra seus inimigos, mormente os internos lá dos anos 60/70 que desejavam uma ditadura comunista neste país .
Ele em suas próprias palavras uma vez disse a mim : 'Boccato, lutei o bom combate, honrei minha farda que é a do Ex. Brasileiro, respeitei as leis de guerra e tenho sim sangue na farda que ganhei em combate justo contra um inimigo que aliás não respeitava lei alguma e se tivesse que ser soldado novamente em outra vida, o seria, e faria tudo novamente igual !'. Cristão, espírita e um fidalgo de gestos e atitudes seja como pessoa ou oficial de exército jamais em seus 83 anos de vida cometeu um único crime sequer ou ainda quaisquer ações de perversidade cruel (a definição de um facínora) e aqui lembro por exemplo seu esforço e de sua esposa para prover um enxoval a um recém nascido de uma presa subversiva que deu a luz na cadeia. Ustra e sua esposa, Joseíta, mesmo residentes em Brasília foram solidários em minha angústia diante da necessidade de enormes doações de sangue para minha esposa lá em 2013 por conta da leucemia que acabou por vitima-la mobilizando-se junto a amigos em Sp para tais doações .

Brilhante Ustra, entre ações cíveis e penais foi processado oito vezes por seus detratores em um verdadeiro "bullyng" judiciário contra sua pessoa .Nunca jamais conseguiram provar uma única acusação contra ele imputada.
Como pode então o sr. Márcio M. Carvalho ofende-lo desta forma, acusa-lo, a um homem cuja inocência foi provada em oito processos exaustivos onde sequer o Ministério Público
teve sucesso ?

Foi condenado apenas uma única vez e mesmo assim, civilmente, em primeira instância a mera reparação pecuniária cuja sentença foi posteriormente reformada por desembargadores que em uníssono votaram por sua absolvição !

Sua família exauriu-se financeiramente lançando mão de suas economias para defende-lo e com orgulho digo que fui um dos muitos que colaboraram tanto financeiramente quanto juridicamente para sua defesa.
Enquanto eu viver defenderei sua memória sempre que tentarem aviltar seu exemplo de homem, pai, marido, cidadão e soldado do exército brasileiro .
Já a sua viúva, sra. Joseíta Ustra, herdeira legal de sua memória e a quem cabe defender judicialmente sua honra uma que por lei a ela reserva-se este direito nos tribunais, enviei cópia da carta publicada caso ela assim deseje proceder contra o autor, fosse eu, o faria incontinenti.
Brilhante Ustra, foi e ainda é (sempre será) um herói do Exército Brasileiro, dos bons cidadãos e patriotas desta nação que se recusam a crer nas tentativas de alguns em reescrever a história verídica de maneira mentirosa e falsamente.
Hoje, Ustra, é Brilhante lá no Céu.
Ao sr. Marcio M. Carvalho, o meu desprezo.
Paulo Boccato
TRIBUNA DO LEITOR: As ordens de Geisel e o radicalismo - Jornal da Cidade

Não se deve militarizar a sociedade, mas é preciso militarizar os presídios


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As facções dominam as penitenciárias, esta é a realidade
Francisco Vieira
De que adiantará a economia estar bombando, se você tiver um filho ou outra pessoa amada estirada em um caixão? De que adiantará ter um governo de esquerda ou de direita, se as ruas continuarem apinhadas de bandidos e as residências continuarem a ser invadidas a qualquer hora do dia e da noite? De que adiantará o país melhorar, se você, seu filho, sua filha ou sua esposa não puderem sair de casa para estudar ou para trabalhar sem que possam ser perseguidos, assaltados e até mortos por predadores?
Ora, antes de termos o supérfluo e o luxo, qualquer ser humano precisa ter o mais básico, que é o direito à vida, ao ir e vir que a Constituição finge garantir, como se não estivéssemos vivendo em uma sociedade bárbara.
PRIORIDADE – A segurança não deveria ser a principal bandeira dos candidatos à Presidência, mas acontece que a nossa situação se tornou tão caótica que estamos sentido a falta do direito de sair ás ruas e do direito à vida.
É urgente que sejam encontradas soluções. Não se tem que militarizar a sociedade, mas é preciso militarizar os presídios, conforme propõe o editor da TI. Com o isolamento dos chefes das facções criminosas, acabarão as autorizações via celular para execuções (inclusive de agentes penitenciários), chacinas, remessa de drogas, incursões e grandes assaltos nas ruas. Como seria a solução, duvido que venha a ser tomada.
NO INTERIOR – Cena vista por um amigo meu em Pernambuco: Um jovem chega de moto em um comércio de uma pequena cidade, entra e diz: “O meu patrão quer falar contigo” – e entrega o celular ao comerciante, que ouve a seguinte mensagem: “Alô, fulano? Tudo bem, irmão? Aqui é beltrano. Sabe como é, rapaz. Estou precisando de cinco mil reais. Tem como você entregar esse dinheiro para esse rapaz aí?”
O comerciante sabe que o tal “beltrano” é um conhecido traficante e homicida que está preso. E também sabe que, se não der o dinheiro, ele ou algum parente dele será executado. Sem saída e sem ter onde e a quem reclamar, dá o dinheiro para o jovem… mais uma vez.
Reclamar para quem, se o bandido já está cumprindo pena em isolamento, supostamente sem acesso a telefones? Aliás, todos lembram quando os cidadãos brasileiros foram obrigados a recadastrar os celulares pós-pagos com a desculpa que era para evitar que aparelhos sem cadastro fossem usados nos presídios.
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IBGE desmentiu Temer, porque nunca houve tantos brasileiros em desalento


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Charge do Bruno Galvão (Arquivo Google)
Bernardo Mello Franco
O Globo

Há duas semanas, Michel Temer sustentou que a alta no desemprego seria uma notícia… positiva. “É um dado positivo que revela esse suposto desemprego”, disse o presidente à CBN. “Quando a economia melhora, as pessoas que estavam desalentadas e não procuravam emprego começam a procurar emprego”, prosseguiu.
“Como não há emprego para todos, isso eu reconheço, ele não consegue o emprego”, continuou Temer. “Ele entra, ou reentra, na área dos desempregados. Mas é interessante, eu volto a dizer. É um fato positivo”, assegurou.
ENTRE ASPAS – “Mas é um positivo entre aspas, não é, presidente?”, questionou o âncora Roberto Nonato, numa tentativa de trazer o entrevistado ao mundo real. “Não, é fora das aspas”, ele respondeu.
Na quinta-feira, o IBGE mostrou que a conversa do presidente era fiada. O instituto informou que o número de desalentados está longe de diminuir. Ao contrário: aumentou para 4,6 milhões, o maior de toda a série histórica. A categoria reúne os brasileiros que, abatidos pela crise, desistiram de procurar trabalho.
No primeiro trimestre de 2016, às vésperas do impeachment, o país contava 2,8 milhões de desalentados. Isso significa que o exército de pessoas sem esperança de se realocar cresceu 64% desde que Temer vestiu a faixa. O número de desempregados também subiu neste período: de 11,1 milhões para 13,7 milhões. Um salto de 23% em dois anos de governo.
NÍVEL RECORDE – A subutilização da força de trabalho também atingiu nível recorde. O índice acaba de bater em 24,7%, o maior desde o início da PNAD Contínua, em 2012. Hoje falta trabalho para 27,7 milhões de brasileiros, somando desempregados, subocupados e desalentados.
Entre os fatos e a propaganda, Temer continua a escolher a propaganda. No dia 4, em palestra numa faculdade de São Paulo, ele disse que o número de desempregados estaria “começando a cair”. Era mentira, porque o índice só cresceu nos últimos três trimestres.
“Quando nós assumimos, estava em torno de 14 milhões e meio de desempregados”, acrescentou o presidente, em outra aventura pelo terreno da ficção. Superfaturou a conta em 3,4 milhões de pessoas, o equivalente a duas vezes a população do Recife.
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Figueiredo Basto nega ter vendido “proteção” a doleiros da Lava Jato


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fs
Bastos não disse se declarou os pagamentos à Receita
Deu em O Tempo
Os doleiros Vinícius Claret, o Juca Bala, e Cláudio de Souza, conhecido como Tony ou Peter, afirmaram, em suas colaborações premiadas com a força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro, que foram obrigados a pagar propina ao advogado Antonio Figueiredo Basto.
Segundo os delatores, os pagamentos de US$ 50 mil mensais foram feitos entre 2005 e 2013, para que ficassem protegidos de supostas acusações de outros investigados ao Ministério Público e à Polícia Federal (PF). A informação foi revelada pelo “O Estado de S. Paulo”.
DELAÇÕES – Especialista na negociação de delações premiadas, Figueiredo Basto defendeu o doleiro Alberto Yousseff. Também negociou os acordos de Lúcio Bolonha Funaro, considerado o principal operador do MDB; do empreiteiro Ricardo Pessoa, do grupo UTC; e do ex-diretor da Petrobras Renato Duque.
Segundo Juca Bala, o doleiro Enrico Machado o teria procurado, entre 2005 e 2006, exigindo o pagamento da taxa mensal “a fim de possuir proteção da Polícia Federal e do Ministério Público”. A quantia combinada era entregue, segundo ele, em endereços indicados por Enrico, que também receberia valores iguais de outros doleiros. Os pagamentos seriam destinados a Figueiredo Basto e outro advogado, que não teve o nome citado.
Já Cláudio de Souza disse aos investigadores que foi instado a pagar US$ 50 mil para “fornecer proteção” a Dario Messer – considerado o doleiro dos doleiros – e outras pessoas ligadas à atividade de câmbio ilegal. Ele também diz que Basto e outro advogado que trabalharia com ele seriam os responsáveis por oferecer essa proteção.
ADVOGADO NEGA – Basto negou a acusação de cobrança de “proteção” feita pelos doleiros. “É um boato que você joga no ar. Todo mundo hoje adora atacar a honra do outro”, disse.
“Contra boato não tem como se defender”, completou Basto. O advogado afirmou que nunca teve qualquer tipo de contato com Claret, Souza nem com o doleiro Dario Messer.

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Brasil tem a retomada mais lenta da história após recessão econômica

BOCÃO NEWS
[Brasil tem a retomada mais lenta da história após recessão econômica]
20 de Maio de 2018 às 12:41 Por: Reprodução Por: FolhapressPara os economistas que avaliam dados sobre crescimento, está cada vez mais claro que o Brasil vive o mais lento ciclo de retomada econômica da história. Ao analisar oito recessões brasileiras desde a década de 1980, a economia nunca demorou tanto para reagir, aponta análise do economista Affonso Celso Pastore, com base em séries históricas do PIB (Produto Interno Bruto).
Passados quatro trimestres desde o fim da recessão, a economia está apenas 2,2% acima do vale verificado no quarto trimestre de 2016. Na recuperação de 1998, considerada a mais lenta até o momento, a economia, a essa altura, já estava 4,2% acima do piso.
Os dados sobre os períodos de recessão e de recuperação são todos do Codace, o comitê que data os ciclos econômicos formado pela FGV (Fundação Getulio Vargas). “Há sete meses, a gente já vinha alertando para a lentidão da recuperação; Agora todas aquelas projeções de crescimento de 3%, algumas de até 4%, foram por água abaixo e estamos mirando nos 2%”, afirma Pastore.
A Folha ouviu especialistas que buscam explicar as razões para essa frágil reação. O diagnóstico é que uma atípica associação de travas atua contra o crescimento.
Ponta que faz a roda da economia girar, o setor empresarial ainda não conseguiu se reerguer. Na indústria, apenas alguns segmentos, como o automotivo, ganhou fôlego. A maioria ainda opera com capacidade ociosa. O melhor indicador está no segmento que dá suporte à produção.
“A chamada industria de bens intermediários —cimento, tecido, aço—, que responde por 60% da produção e serve de parâmetro para a atividade, não vem tendo um bom desempenho”, diz Armando Castelar Pinheiro, coordenador de economia aplicada do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da FGV).
O mesmo vale para os dois segmentos da construção. Tanto a civil, que ainda precisa desovar um grande número de imóveis, quanto a pesada, em que grandes empresas foram atingidas pela Operação Lava Jato, têm dificuldades para voltar a crescer.
“Nós, no Ibre, sempre fomos conservadores em relação à retomada, mas admito que a fraqueza que vemos me surpreende”, diz Castelar.
Pesa também o fato de que, apesar de todos os ajustes, boa parte das empresas saiu da recessão endividada e sendo obrigada a manter cortes e ajustes.
 A consultoria Alvarez & Marsal analisou 170 empresas listadas em Bolsa. O resultado é que a dívida delas cresceu em 2017, mas a expansão do lucro operacional foi superior, reduzindo o que se conhece como alavancagem.
Para Carlos Priolli, diretor da consultoria, lucrar mais com a operação é primeiro sinal de que a economia está melhorando, ainda que de modo tímido. “As empresas estão fazendo a parte delas, mas dependem de contrapartidas: o governo e os bancos precisam fazer a sua parte.”
Nesse front, as respostas também têm sido mais lentas do que o desejável.
Não é possível recorrer ao socorro público, como acontecia nos solavancos econômicos da década de 1980 e em 2009. A grave crise fiscal, que deixa o caixa público no vermelho, impede benesses, subsídios e até obras.
União, estados e municípios restringiram tanto seus Orçamentos que o investimento público chegou a um dos menores patamares da história. Nos 12 meses encerrados em março, o investimento federal totalizou R$ 30,2 bilhões — queda de 54% apenas na gestão de Michel Temer.
O processo de escolha do novo presidente num ambiente de polarização política atua como inibidor na outra ponta, o investimento privado. “A incerteza eleitoral joga mais areia na engrenagem econômica”, diz Juan Jensen, sócio da 4EConsultoria.
Uma alta na oferta de crédito, que poderia irrigar a economia, também não está no cenário de curto prazo. Apesar de o Banco Central ter reduzido a Selic, a taxa básica de juros da economia, a 6,5%, o menor patamar desde a implantação do Plano Real, os juros dos financiamentos caem lentamente.
"Corremos o risco de o PIB não chegar nem a 2% no fim o ano, já que não há reação nem no mercado de crédito nem no mercado de trabalho”, afirma Jensen.
O comportamento do emprego é, de longe, a variável que mais preocupa analistas porque apresenta uma complexidade nova para discussão.
"Além da crise conjuntural, temos uma transformação estrutural: o emprego formal, com carteira assinada, está sendo substituído em todo o mundo por diferentes formas de trabalho que muitos chamam de informal, mas prefiro chamar de independente”, diz José Roberto Afonso, Professor do IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público)
Do total de 1,6 milhão de postos de trabalho abertos nos quatro trimestres até março, foram criadas 530 mil vagas sem carteira e outras 840 mil pelos chamados conta própria, pequenos empreendedores que, no geral, atuam na informalidade.
Há ainda um grande contingente de pessoas subutilizadas. Mais especificamente 27,7 milhões, entre desempregados, pessoas que trabalham menos do que gostariam ou poderiam ou aqueles que simplesmente desistiram de procurar, os desalentados.
“Parte desse grupo ainda nem chegou ao mercado e trabalho e pode engrossar o desemprego”, afirma Thiago Xavier, economista da Tendências Consultoria.
Em um país acostumado a valorizar a segurança do serviço público e da carteira assinada, o avanço da informalidade pode trazer mudanças imprevisíveis na forma de poupar e principalmente consumir —e o consumo responde por mais de 60% do PIB.
Ninguém agora quer se arriscar a decifrar a grande incógnita: quando todas essas peças da engrenagem do crescimento vão se ajustar.

Ninguém está acima da lei, diz Moro em discurso de formatura nos EUA

BOCÃO NEWS
[Ninguém está acima da lei, diz Moro em discurso de formatura nos EUA]
20 de Maio de 2018 às 15:32 Por: Reprodução Por: Folhapress
Em discurso na cerimônia de formatura da Universidade de Notre Dame, nos EUA, o juiz federal Sergio Moro afirmou neste domingo (20) que "ninguém está acima da lei", e que esse deve ser um princípio para a estabilidade da democracia no Brasil.
"O alicerce de nações democráticas é o Estado de Direito, o que significa que todos têm direito à igual proteção da lei. Isso quer dizer que é preciso proteger os mais vulneráveis, mas também que ninguém está acima da lei", declarou.
Moro foi o principal orador da cerimônia de formatura da Universidade de Notre Dame, instituição católica fundada em 1842 e sediada no estado de Indiana, que reúne cerca de 12 mil alunos. A função já foi ocupada por ex-presidentes dos Estados Unidos como Barack Obama, George W. Bush e Ronald Reagan, entre outras autoridades.
O magistrado brasileiro afirmou que o trabalho na Operação Lava Jato –que condenou, segundo ele, "ex-governadores, congressistas, um ex-presidente da Câmara e até um ex-presidente"– não tem sido fácil, e citou "ameaças, riscos e tentativas de difamação".
"Alguns criminosos não querem mudar o status quo da corrupção e da impunidade. E eles são muitos, e poderosos", declarou, sem entrar em detalhes sobre as ameaças.
Antes, o presidente da universidade, John Jenkins, afirmara que Moro atua sob "grande risco pessoal para si e para sua família".
Este foi o último compromisso de Moro nos Estados Unidos, em sua terceira visita ao país neste ano -nesta semana, ele também foi homenageado por empresários em Nova York, onde foi fotografado ao lado do ex-prefeito de São Paulo João Doria, e foi alvo de protestos de partidários do ex-presidente Lula, que o chamaram de "juiz partidário" e "salafrário".
Em Notre Dame, o magistrado foi escolhido como orador por ser "um claro exemplo de alguém que vivencia os valores" que devem inspirar os formandos, segundo o presidente da universidade, John Jenkins -entre eles, a luta pela justiça "sem medo ou favor".
MUNDO PEQUENO
No discurso, o brasileiro afirmou que, ao refletir sobre o convite, concluiu que "esse é realmente um mundo pequeno", e disse ter sido influenciado pelo trabalho de outros, como o juiz italiano Giovanni Falcone, que condenou líderes da máfia da Sicília, e as leis de combate à corrupção nos Estados Unidos.
O juiz afirmou que não sabe o que irá acontecer ao Brasil no futuro, e que "pode haver retrocessos". "Mas eu acredito que ao menos nos demos uma chance de sermos um país melhor", disse. "Lutar pela integridade na vida pública é uma causa que vale a pena."
Cerca de 21 mil pessoas estiveram no evento, segundo a universidade. Moro não enfrentou protestos em Indiana, ao contrário. Foi aplaudido de pé, ao final de seu discurso de pouco mais de 20 minutos.
Entre o público presente no estádio da universidade, um brasileiro carregava uma cartolina com a frase: "Eu moro aqui, mas sou Moro no Brasil".
Ao final do discurso, o brasileiro deu quatro conselhos aos recém-graduados: nunca desistir de lutar por uma boa causa; saber que, se a luta for justa, você nunca estará sozinho; lembrar que seu comportamento pode inspirar outros; e não se render ao mal da corrupção ou da desesperança.

Maconha: mercado bilionário atrai grandes empresas após legalização

BOCÃO NEWS
[Maconha: mercado bilionário atrai grandes empresas após legalização]
20 de Maio de 2018 às 14:07 Por: Michel Martore/PHOTOPRESS/Folhapress Por: Folhapress - Joana Cunha
Dona da cerveja Corona, Constellation Brands compra fatia da canadense Canopy Growth, uma das maiores empresas de maconha do mundo.
Gigante de tecnologia HP fornece hardware para Flowhub, especialista em software para o varejo de maconha nos Estados Unidos.
A também americana Alliance One, multinacional de tabaco, adquire controle de duas canadenses que processam a erva.
As transações acima —apenas três exemplos de negócios realizados desde o fim de 2017— são prova de que o mercado de maconha ficou sério demais para que grandes companhias não tenham ao menos um pé nele.
O momento é de consolidação, com cifras comparáveis ao que se vê em mercados tradicionais.
O maior acordo no ramo ocorreu na segunda-feira (14).
A Aurora Cannabis, que cultiva a planta nas montanhas rochosas de Alberta, no Canadá, pagou US$ 2,5 bilhões pela concorrente MedReleaf. A Aurora bateu o seu próprio recorde. Há poucos meses, pagara cerca de US$ 1 bilhão pela CanniMed Therapeutics.
Com o uso medicinal já liberado, o Canadá legalizará o consumo recreativo no segundo semestre, mas, a cada grande operação no setor, as ações de empresas do ramo disparam, levantando dúvidas sobre uma possível bolha especulativa.
O Canadá vem assumindo protagonismo no setor. Será o segundo país no mundo a liberar o consumo recreativo em nível federal, depois do Uruguai, e o primeiro entre o chamado G7, grupo das principais economias do planeta.
Já nos Estados Unidos, as liberações ocorrem por estado, mas a lei federal proíbe, o que provoca alguma insegurança, mas não chega a tolher o impulso investidor.
Jeff Sessions, secretário de Justiça de Donald Trump, recentemente se opôs a uma política do antecessor, Barack Obama, que instruía promotores federais a não tomar medidas contra a maconha em estados já legalizados —o uso médico é legal em 29 estados, e o recreativo, em 9.
O mercado americano de cânabis legal cresceu 30%, batendo em US$ 10 bilhões em 2017, segundo a consultoria ArcView Market Research, cujas estimativas preveem o dobro do montante em 2021.
No Canadá, o mercado de capitais evoluiu a tal ponto —com as maiores companhias de maconha listadas na Bolsa de Toronto— que o valor das ações delas, juntas, corresponde a quase metade da capitalização da indústria de mineração de ouro. Algumas têm valor de mercado que superam a previsão das vendas do uso recreativo no país.
O otimismo ocorre em um momento em que o consumo da planta ganha contornos institucionais.
No fim de 2017, a OMS (Organização Mundial de Saúde) reconheceu que o canabidiol, uma das substâncias da planta, pode tratar a epilepsia.
A estreia da HP com um cliente nesse mercado simboliza uma conquista na batalha que a indústria de cânabis trava há anos para quebrar o estigma.
O software da Flowhub serve para ajudar os varejistas de maconha licenciados a rastrear vendas, controlar estoques e se manter em conformidade com as exigências das agências reguladoras.
O uso recreativo tende a mudar a dinâmica do negócio, e as empresas já perceberam. O interesse de gigantes como a Constellation e a Alliance One já sinalizam a preocupação com o potencial da maconha de canibalizar as indústrias de bebida alcoólica e tabaco quando o uso da erva estiver amplamente legalizado.
Para a analista Vivan Azer, da Cowen & Co., cujos relatórios sobre o produto se tornaram referência em Wall Street, uma erva legalizada pode substituir parte do papel da bebida como desinibidor social.
Christopher Meyn, sócio da Evolvd, que investe em mais de dez empresas e tem meia dúzia de licenças nos EUA, considera que a febre de interesse é justificada.
“O uso recreativo foi liberado neste ano na Califórnia, que é um estado com um mercado tão grande, quase um país. É para onde os americanos estão indo desenvolver plantio em escala, modelos de varejo e muitos produtos”, diz Meyn.
O mercado que explode no Canadá e nos EUA ganha tração pelo mundo. Segundo a Nuuvera, empresa do setor, 15 já legalizaram a maconha medicinal e outros quase 30 estudam algum tipo de regulação, o Brasil inclusive.
Quem começa a florescer no olhar de investidores é a Colômbia, que há dois anos liberou maconha medicinal para uso doméstico e exportação.
O destaque só cresce desde setembro, quando o governo passou a distribuir licenças de cultivo e processamento. Canadá e Holanda já são exportadores de peso, mas o clima faz da Colômbia um competidor natural, segundo Jon Ruiz, presidente da Medcann, uma das primeiras a obter licença.
Além da vocação exportadora, é um forte consumidor da medicação, segundo Alvaro Torres, presidente da Khiron, outra pioneira na Colômbia.
“Quando o Brasil tiver regulação e entrar neste mercado, haverá uma nova onda de cânabis medicinal”, diz Torres.
Grandes negócios recentes no mercado da cannabis
Aurora Cannabis
Canadense de capital aberto registrou valor de mercado de US$ 3,5 bilhões em abril; fundada em 2013, produz maconha com fins medicinais.
Comprou:
Med Releaf
Empresa canadense, obteve licença do governo local para processar maconha medicina em 2014.
Quando: mai.2018
Valor da operação: US$ 2,5 bilhões
Canni Med Therapeutics
Empresa canadense de cannabis medicinal, com foco na produção de óleos, abriu capital em 2016.
Quando: jan.2018
Valor da operação: US$ 1 bilhão
Alphria
Companhia canadense de maconha medicinal, listada na Bolsa de Toronto, atingiu US$ 2,3 bilhões em valor de mercado neste ano.
Comprou:
Nuuvera
Canadense especializada para maconha para fins medicinais
Quando: mar.2018
Valor da operação: US$ 329 milhões
Constellation Brands
Fabricante de bebidas e dona de marcas como as cervejas Corona e Modelo, e a vodca Sevdka.
Comprou 9,9% da:
Canopy Growth
Canadense de maconha medicinal, lista na Bolsa de Toronto, aringiu valor de mercado de US$ 5,2 bilhões em abril
Quando: nov. 2017
Valor da operação: US$ 191 milhões
Alliance One
empresa de tabaco norte-americana que fornece para multinacionais fabricante de cigarros
Comprou:
Island Garden e Goldleaf
Empresas de produção de cannabis medicinal
Quando: fev. 2018
Valor da operação: não divulgado ​