domingo, 22 de abril de 2018


Menos ódio e mais tolerância


Paulo Roberto Sampaio

Tribuna da Bahia, Salvador
18/04/2018 10:56
   


Definitivamente, estamos vivendo a era do ódio. Direita e esquerda resolveram empunhar armas, principalmente na internet, para um processo de destruição em massa. É chocante ver o Brasil, um país por natureza "da paz" contaminado por tanto sentimento bélico. Já é impossível abrir uma caixa de mensagem, em especial o WhatsApp , sem ser contaminado por essa maldita praga.
Os argumentos são os mais variados, de lado a lado, mas o que choca mais em tudo isso é o sentimento de ódio que brota. Ninguém que pertence ou defende posições correlatas ao lado A presta. É corrupto, ladrão, da mesma laia ou, se do outro lado, da metade dominante da sociedade, ricos, desalmados e que só querem a manutenção das benesses que usufruíram por toda a vida.
É muito triste ver que amizades estão sendo trincadas ou que o prazer de trocar inocentes notas pelo Zap deu lugar a um bombardeio de mensagens e vídeos, muitos deles falsos, as hoje famosas fake news que se proliferam levadas adiante por "inocentes" que por se identificarem com um lado, passam adiante tudo que lhes chega contrário ao outro.
Atacar Lula então virou o esporte preferido de 10 entre 10 endinheirados ou não, mas que repousam em seus ombros tudo de ruim que se abate sobre o país hoje. Ninguém discute nem avalia os avanços sociais, as conquistas e benefícios que empreendeu. Só existe nele a reencarnação do demônio.
E se Lula não presta, ninguém mais do PT ou entre seus aliados, presta.
Companheiros de partido ou simples aliados têm sido provocados, ofendidos e hostilizados em ambientes públicos e até em aviões como se tivéssemos o direito de sair por ai a xingar e ofender os nossos desafetos.
É como se passássemos a integrar as famigeradas torcidas organizadas, aquelas que estão sendo banidas dos estádios, porque para lá vão armadas de paus e pedras, armas de todo tipo, não para torcer, mas para agredir, ferir, massacrar. Para matar.
Juízes, ministros ou simples candidatos à Presidência são perseguidos nas ruas pelos novos guardiões da moralidade ou defensores de suas ideias, que devem ser por todos, seguidas. Sempre com um celular nas mãos para tudo filmar e ganhar seus 15 minutos de estrelato nas redes sociais.
São cenas chocantes e deprimentes, que nos levam a uma sociedade primitiva.
Senhoras e Senhores, respeitável público, menos, menos, tá, ou em breve estaremos a pendurar num poste da praça a cabeça de nossos adversários.
Não podemos querer construir o Brasil e o mundo à nossa semelhança. São as diferenças que nos fazem seguir nossa luta. Se não houvesse dois sexos (sem polemizar com os adeptos do mesmo), dois times de futebol, duas opções à mesa, duas estradas a seguir, tudo se tornaria tão monótono que a vida perderia muito do seu significado.
O prefeito ACM Neto escolheu o caminho que lhe pareceu mais oportuno na sucessão estadual e pronto. O governador Rui Costa segue defendendo suas bandeiras e seus ideais, e paralelo a isso, fazendo uma gestão elogiável sob todos os aspectos. Se fez do social a principal meta a seguir, priorizando a saúde, a educação e o pequeno produtor, não deixou de lado a infraestrutura e as estradas.
Os que abominam seu PT não podem esquecer o valor do seu trabalho e estabelecer um julgamento justo, este que o povo da Bahia está fazendo. Mas o governador Rui Costa tem também de estar atento para o cargo que ocupa e o fato de ser governador de todos os baianos.
Sair em defesa de Lula é um direito que tem, principalmente quando provocado por jornalistas, mas sair a gravar vídeos com essa posição, já é ir um pouco além. Assim como ser tolerante com protestos a infernizar a vida dos baianos, na capital e no interior. Venha de quem vier, adversários ou aliados.
Os protestos são justos, desde que não tragam transtornos a quem só quer trabalhar, levar um filho à escola ou procurar um socorro médico. O direito de ir e vir não pode ser comprometido sob qualquer argumento. 
Enfim, precisamos nos despir desse ódio mortal para poder julgar os que nos cercam sem estabelecer divisões tão extremas. Se Lula errou e não tenho dúvidas disso, deve pagar por seus erros, mas não com um linchamento público, próprio da era medieval. E os que o defendem têm o direito de fazê-lo dentro dos limites concedidos a todos na sociedade, afinal vivemos numa democracia. Ou não?

Grandes Brasileiros: Ford Galaxie LTD


Referência nacional de luxo, conforto e suavidade ao rodar, ele iniciou a era dos automáticos nacionais

QUATRO RODAS
Ford Galaxie LTD Com 5,40 metros, o LTD só ficava à vontade em garagem de mansão
Com 5,40 metros, o LTD só ficava à vontade em garagem de mansão (Marco de Bari/Quatro Rodas)
Nos anos 60, era fácil importar um sedã de luxo. Difícil era mantê-lo, dada a carência de peças de reposição e falta de mão de obra qualificada.
Mas havia uma alternativa para esse público: num Brasil cheio de Fusca e DKW, luxo era ter espaço interno generoso, rodar macio e motor forte.
Mas ainda era pouco diante dos importados, por isso a Ford decidiu enfrentá-los com um Galaxie mais potente e requintado: o LTD (Limited) fazia sua primeira aparição na linha 1969.
Ele ganhou o motor V-Block de 4,8 litros (e 190 cv) e foi o primeiro nacional a oferecer o câmbio automático. No interior, direção hidráulica, ar-condicionado, banco traseiro com apoio de braço central e apliques de jacarandá-da-baía nas portas e painel. Por fora, teto de vinil preto, grade redesenhada, frisos e emblemas exclusivos.
Ford Galaxie LTD O teto revestido de vinil dava um toque de exclusividade ao velho Galaxie
O teto revestido de vinil dava um toque de exclusividade ao velho Galaxie (Marco de Bari/Quatro Rodas)
Faltava apenas o aval dos especialistas: entre 1969 e 1971, o LTD passou pelo crivo dos pilotos Stirling Moss, Jackie Stewart, Colin Chapman e Emerson Fittipaldi, cujas avaliações foram publicadas na QUATRO RODAS.
Todos elogiaram conforto, silêncio e acabamento, mas não gostaram de freios, desempenho e estabilidade. O LTD não era feito para andar rápido, mas sim para ser curtido com calma, de preferência no banco de trás.
Ford Galaxie LTD Painel de instrumentos com velocímetro horizontal e um relógio logo acima do volante
Painel de instrumentos com velocímetro horizontal e um relógio logo acima do volante (Marco de Bari/Quatro Rodas)
Mesmo sem rivais no Brasil, a Ford não se acomodou: o Galaxie tornou-se ainda mais exclusivo em 1971, quando o LTD virou LTD Landau.
O vidro traseiro foi substituído por outro menor e a coluna traseira recebia um adorno simulando a dobradiça da capota basculante das carruagens de mesmo nome. Os freios passavam a ser servoassistidos, recebendo discos dianteiros apenas no ano seguinte.
Uma leve reestilização veio na linha 1973: lanternas trapezoidais e piscas inseridos em painéis metálicos que ladeavam a grade. Em 1976, viria a última mudança: os quatro faróis agora estavam na horizontal, com os piscas deslocados para as extremidades.
A traseira recebia seis lanternas, com a ré no para-choque, e as calotas agora eram lisas, ostentando o logotipo da Lincoln americana. O mesmo logotipo, só que na horizontal, ressurgia sobre o capô, como uma mira. Abaixo dele, um V8 5.0 de 199 cv.
Ford Galaxie LTD Para dar conta dos 1.834 kg, os 199 cv do V8 eram escassos
Para dar conta dos 1.834 kg, os 199 cv do V8 eram escassos (Marco de Bari/Quatro Rodas)
A partir desse ano, o LTD passa a ser o Galaxie intermediário, desvinculado do Landau: perde o vidro traseiro menor, porém é o único a permitir a escolha da cor do vinil do teto, preto ou areia. É desse ano o carro das fotos.
“Dos LTD, este era o top, já que contava com todos os opcionais, opção interessante por ser mais barato que o Landau básico, que não oferecia ar-condicionado e câmbio automático”, diz o colecionador Luiz Henrique Mangolin.
Ford Galaxie LTD Como todo sedã de luxo da época, não faltavam cromados
Como todo sedã de luxo da época, não faltavam cromados (Marco de Bari/Quatro Rodas)
Em 1979, o ar-condicionado era integrado ao painel, sem a enorme caixa evaporadora sob ele. Em 1980 estreava a versão a álcool: oferecia mais torque em baixa rotação e mais potência em alta, o que se traduziu em uma elasticidade ímpar.
Seu único problema era a autonomia, já que o consumo médio de 4,41 km/l secava logo o tanque de 107 litros.
Ford Galaxie LTD Capacidade de 700 litros no porta-malas, que só não era maior devido ao estepe
Capacidade de 700 litros no porta-malas, que só não era maior devido ao estepe (Marco de Bari/Quatro Rodas)
O LTD acabaria em 1981, logo após o fim do irmão pobre Galaxie 500. Todas as unidades produzidas naquele ano saíram da fábrica no bairro do Ipiranga, em São Paulo, com ar e câmbio automático. O irmão rico Landau permaneceria em linha até 1983, inigualado em maciez e espaço interno até hoje.

Governo sírio tenta evacuar membros do Estado Islâmico com ataque


Moradores de Damasco relataram ter ouvido estrondos altos durante a noite de sábado (22) e manhã de domingo (23)

BAHIA.BA
Foto: Civil Defense Idlib/ Fotos Públicas
Foto: Civil Defense Idlib/ Fotos Públicas

Em uma tentativa de impor a efetivação de um acordo de evacuação alcançado com os militantes no início da semana, forças do governo sírio usaram aviões de guerra, helicópteros e artilharia neste domingo (23) para atacar os distritos da capital detidos pelo Estado Islâmico.
Os militantes concordaram em desistir de seu último local de domínio, no sul de Damasco, na sexta-feira, mas ainda não começaram a se render às forças do governo e se mudar para áreas controladas em outras partes do país.
Moradores de Damasco relataram ter ouvido estrondos altos durante a noite de sábado e manhã de domingo.
O presidente Bashar Assad acelerou sua campanha militar para retomar todos enclaves remanescentes na capital e áreas adjacentes. As áreas detidas pelo Estado Islâmico no sul de Damasco são os últimos redutos.

A Justiça que falha porque tarda


"Mesmo o acúmulo de processos no Supremo – que não é apenas corte constitucional, mas é chamado a decidir sobre praticamente tudo, inclusive questões penais – não justifica que as acusações contra políticos sejam tratadas desta forma". Editorial da Gazeta do Povo:

Nos últimos dois meses, o Supremo Tribunal Federal deu mais razões para a prerrogativa de foro – a regra pela qual detentores de certos cargos, eleitos ou por nomeação, sejam julgados apenas pelos tribunais superiores, especialmente o STF – seja realmente chamada pelo seu nome popular, “foro privilegiado”. O privilégio, no caso, é o de escapar das mãos da Justiça.

Em fevereiro, o ministro Marco Aurélio Mello mandou arquivar, a pedido da Procuradoria-Geral da República, um inquérito contra o senador Romero Jucá (MDB-RR) – aquele do “grande acordo nacional, com Supremo, com tudo” – em que ele era investigado por desvio de recursos públicos: Jucá teria recebido comissão por obras realizadas entre 1999 e 2001 no município de Cantá. Como o crime de peculato pode render um máximo de 12 anos de prisão, a prescrição ocorre em 16 anos depois do cometimento do crime, de acordo com o artigo 109 do Código Penal. Ou seja, o crime prescreveu e, diante disso, não restava mais nada a fazer a não ser a solicitação de arquivamento pela PGR e a aceitação do pedido por Marco Aurélio.
A prescrição significa que o Estado abriu mão da sua pretensão de punir, por pura lentidão. No caso de Jucá, o Supremo recebeu o pedido de investigação em abril de 2004. Em todos esses anos, a corte foi incapaz de conduzir o processo de modo que Jucá acabasse julgado pelos crimes de que era suspeito. O dano causado pela prescrição é tamanho que foi apontado até pela defesa de Jucá. “Em vez de afirmar a inocência, infelizmente fica a história que foi por prescrição”, disse o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. De fato: é mais evidente o estrago que a prescrição causa quando o acusado é realmente culpado, porque se consagra a impunidade, mas, se o suspeito for inocente, a prescrição não retira a dúvida que fica pairando sobre sua conduta e que talvez jamais seja sanada diante da opinião pública.

Na última terça-feira, dia 17, foi a vez de o ministro Celso de Mello mandar arquivar um outro processo, desta vez envolvendo o deputado Flaviano Melo (MDB-AC). Este caso estava em um estágio bem mais avançado que o de Jucá, pois Melo, acusado de participar de um esquema de desvio com funcionários do Banco do Brasil entre 1988 e 1990, quando era governador do Acre, tinha se tornado réu em 2002 – cinco anos depois, com sua eleição para a Câmara, o processo subiu para o Supremo, onde ficou nas mãos de Mello por dez anos sem que fosse julgado, apesar dos insistentes pedidos da PGR e do fato de o processo estar concluído (ou seja, as alegações finais da acusação e da defesa já tinham sido feitas) desde 26 de maio de 2008.

Também diferentemente do caso de Jucá, o crime de que Melo era acusado ainda não tinha prescrito, mas isso estava prestes a acontecer, em junho deste ano. Celso de Mello alegou que a denúncia era “genérica” e que não havia “justa causa” para a continuação do processo, motivo pelo qual ele deveria ser arquivado. Mas o relator não explicou por que levou quase dez anos para chegar a uma conclusão aparentemente tão simples. A PGR ainda pode recorrer do arquivamento, mas a essa altura já é o caso de perguntar de que serviria prolongar um desfecho que se mostra inevitável.

Esses dois casos mostram como a Justiça pode falhar porque tarda. Mesmo o acúmulo de processos no Supremo – que não é apenas corte constitucional, mas é chamado a decidir sobre praticamente tudo, inclusive questões penais – não justifica que as acusações contra políticos sejam tratadas desta forma. Ao ver o “não desfecho” do inquérito contra Jucá e do processo de Flaviano Melo, o brasileiro teme por fim semelhante nos processos da Lava Jato que envolvem políticos com foro privilegiado – e cujo revisor é justamente Celso de Mello, que tão duro havia sido com os acusados do mensalão, tendo proferido alguns dos votos mais enfáticos na descrição do esquema como um “projeto criminoso de poder”. Que os ministros do Supremo percebam e retifiquem o quanto antes essas atitudes que transformam a corte em um buraco negro no qual as acusações contra poderosos acabam sugadas e jamais voltam à luz.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

Brasil e mais cinco países suspendem participação na Unasul


No documento encaminhado ao chanceler da Bolívia, Fernando Huanacumi, foi explicada a decisão de suspender, por tempo indeterminado, a participação nas reuniões do bloco

Agência Brasil / BAHIA.BA
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, e os chanceleres da Argentina, do Paraguai, da Colômbia, do Chile e do Peru enviaram carta à Presidência Pró-Tempore da União das Nações Sul-americanas (Unasul).
No documento encaminhado ao chanceler da Bolívia, Fernando Huanacumi, que está no comando da organização, eles informam sobre a decisão de suspender, por tempo indeterminado, a participação nas reuniões do bloco.
A iniciativa, segundo o documento, foi motivada pelo impasse com o governo da Venezuela em relação à escolha do secretário-geral da organização.
Na carta, os chanceleres alegam que a Unasul está paralisada desde janeiro de 2017 porque a Venezuela, com o apoio da Bolívia, do Suriname e do Equador, vetou o candidato argentino ao posto de secretário-geral.
Na ocasião, o candidato era o embaixador argentino José Octávio Bordón. Apesar do veto, a Venezuela e os demais países não apresentaram alternativa ao nome. Assim, a secretaria-geral ficou vaga e a organização, de acordo com os chanceleres liderados pelo Brasil e Argentina, acéfala.
Os chanceles do Brasil e dos outros cinco países argumentam que o cargo de secretário-geral é fundamental na Unasul e a ausência da liderança prejudicou as discussões políticas do bloco, incluindo reuniões de chanceleres, que desde então não estão funcionando de forma adequada.
Polêmica – Na Unasul, há uma divisão entre as alas lideradas pela Bolívia e pela Argentina, sendo que esta segunda é denominada de conservadores. Atualmente a ala conservadora domina a organização.
O documento elaborado pelos chanceleres do Brasil e dos cinco países foi encaminhada no último dia 18. Para os ministros, há uma série de dificuldades que ameaçam o funcionamento do bloco. Criada em 2008, a Unasul foi uma iniciativa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos ex-presidentes da Venezuela Hugo Chávez (já morto) e da Argentina Néstor Kirchner.
O objetivo era incentivar a integração regional. Porém, com os novos presidentes da República de vários países, houve mudanças dos governos, redirecionando prioridades e tendências políticas. A Unasul é formada pela Argentina, o Brasil, Chile, Equador, a Guiana, o Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e a Venezuela.

Veleiros da Volvo Ocean Race deixam Itajaí e partem para os Estados Unidos


DIÁRIO CATARINENSE
Por Dagmara Spautz

Despedida
Despedida (Foto: Patrick Rodrigues)
Uma multidão acompanhou a despedida dos veleiros da Volvo Ocean Race em Itajaí neste domingo. Diferente da chegada dos barcos, quando o vento insistiu em não soprar e uma brisa suave fez com que as embarcações permanecessem praticamente paradas, desta vez houve vento e velocidade suficiente para que os veleiros protagonizassem uma bela volta pelo circuito final, antes de seguirem para Newport, nos Estados Unidos. O veleiro espanhol Mapfre foi o primeiro a concluir o trajeto e liderou a flotilha, em direção ao Norte.
Foi seguido de perto pelo chinês Dongfeng Race Team, barco que tirou dos espanhóis a liderança no ranking geral na chegada a Itajaí. O que significa que os próximos dias devem ser de disputa acirrada entre os dois.
Centenas de embarcações de todos os tipos, vindas do Brasil e do exterior, acompanharam de perto o último circuito. A Marinha e a Polícia Federal fizeram a escolta do trajeto, para evitar qualquer incidente.
Na Vila da Regata, a despedida foi marcada por um grande público, pelo carinho pelas equipes, e pela homenagem dos velejadores a Jhon Fisher, atleta do veleiro SHK Scallywag, com bandeira de Hong Kong, que morreu no trajeto entre Auckland e Itajaí. Todos os velejadores desfilaram pela Vila da Regata usando uma faixa preta, em sinal de luto, antes de embarcar.
Martine Grael, a única brasileira a correr a Volvo Ocean Race, foi a grande estrela do desfile. No caminho até o barco, entregou botons do Comitê Olímpico Brasileiro às crianças. A atleta encantou os espectadores.
_ É a primeira vez que venho ao evento e pretendo voltar sempre. É maravilhoso, emocionante _ disse Suzana Lemos, de Itapoá.
Sete barcos a caminho
A presença de todas as sete equipes na largada foi considerada um grande feito. O veleiro Vestas teve o mastro quebrado na travessia do Cabo Horn, e chegou a Itajaí apenas seis dias antes da partida. O mastro foi trocado, e o equipamento trocado foi doado à Associação Náutica de Itajaí (ANI). Será mantido como um memorial da regata.
A situação mais crítica foi a do veleiro SHK/Scallywag, já que havia dúvidas sobre retomar a prova após a perda do velejador John Fisher. Uma equipe contratada trouxe o veleiro do Chile, onde ocorreu o acidente, até Itajaí. O barco chegou a quinta-feira, apenas três dias antes de largar. Foi uma corrida contra o tempo para garantir que ele estivesse pronto para partir neste domingo.
Até os Estados Unidos, os velejadores enfrentarão 5,6 mil milhas consideradas difíceis. Não será o frio congelante da última perna, na travessia dos gelados mares do Sul. Mas a previsão é de poucos ventos nos primeiros dias, o que exigirá dos atletas mais decisões táticas.
A expectativa é que a viagem dure cerca de duas semanas. A Volvo Ocean Race termina em junho, na cidade de Haia, na Holanda.

Sonhos, planos e lições de quem largou o emprego para tirar um ano sabático


DIÁRIO CATARINENSE
Sonhos, planos e lições de quem largou o emprego para tirar um ano sabático Felipe Carneiro/Diário Catarinense
Fabiana largou o emprego numa multinacional Suíça para dar a volta ao mundo com amigos
Foto: Felipe Carneiro / Diário Catarinense
A florianopolitana Fabiele Nunes não podia se queixar de Dubai, onde trabalhava desde 2008. Aos 36 anos, a psicóloga formada na UFSC era diretora de RH de uma multinacional suíça de tecnologia de informação especializada em serviços para a indústria da aviação. Do 10º andar de uma das torres que rasgam a paisagem da cidade, ela comandava as operações do departamento em 59 países asiáticos, incluindo Oriente Médio e Índia. Em 2014, o visto bienal que a permitia atuar no emirado árabe venceu novamente. Ganhava, morava e gastava bem — com perspectivas de crescer —, mas resolveu pedir demissão e, como preconiza o filósofo italiano Domenico de Masi, parar de diferenciar tempo livre de trabalho: tirou um ano sabático. Sua vida nunca mais foi a mesma.
— Comecei a alimentar a ideia de dar a volta ao mundo — conta Fabiele, hoje à frente de uma startup na capital catarinense.
Afastar-se das atividades profissionais por um período para se dedicar a algum projeto pessoal — mesmo que esse projeto seja apenas relaxar — faz parte dos sonhos de muita gente. Poucas têm condições financeiras e "situacionais" de realizá-lo. Fabiele, executiva de uma grande empresa, solteira e sem filhos, tinha. Superou o "pesar de deixar para trás a casa, a carreira e os amigos" e pôs-se a planejar. Os preparativos levaram quatro meses. Um alemão e uma egípcia, colegas de Dubai, a acompanhariam. A primeira providência foi estipular uma rota. Ela queria conhecer a Oceania; eles, a América Latina. Fecharam em 12 escalas.
Para calcular de quanto precisariam, dividiram os destinos em três grupos, de acordo com o custo. Os caros, como Japão, Havaí, Austrália e Ilhas Fiji, consumiriam US$ 200 diários, sendo US$ 100 para estada e US$ 100 para as demais despesas. Na Tailândia, em Cuba ou no Peru, metade disso bastava. Brasil e Chile figuravam entre os intermediários. Regularizaram vistos, tomaram as vacinas exigidas, encerraram contratos e partiram. No início, Fabiele confessa que ficou "meio perdida, achando que estava de férias". A ficha não demorou a cair:
— Não é turismo, é a sua vida por aquele período! A grande questão é: "O que eu vou fazer quando não sou obrigada a fazer nada?"
O maior legado, contudo, foi aprender a conviver com o desapego. Antes de embarcar, ela penou para escolher o que levar na mala sem ultrapassar os 23 quilos permitidos por voo. Pois não só foi o suficiente como uma das poucas coisas que comprou durante a jornada foi um casaco mais pesado na Nova Zelândia por causa do frio danado que encarou lá. Até por uma razão econômica: não dava para trazer lembrancinha de tudo quanto é lugar, para não pagar excesso de bagagem. Seis meses depois, a trip terminou para Fabiele — mas não o ano sabático.
O semestre seguinte passou em Florianópolis, na casa da mãe, para matar a saudade e "pensar no que iria fazer". O problema era que os amigos locais não tinham o tempo sobrando como ela. Então, Fabiele começou a inventar no que se ocupar. Entrou na ioga, passou a praticar stand-up paddle. Achava que não seria viável voltar a morar na cidade que, quando saiu — em 2002, para um mestrado na Alemanha, e em definitivo em 2005, para ingressar na unidade carioca da gigante europeia pela qual acabaria transferida para Dubai —, "ou você fazia concurso público ou trabalhava com turismo". Em 2016, ou se arriscava na área de tecnologia também.
Ela virou frequentadora da associação catarinense das empresas do setor (Acate). Sem nada muito concreto em vista, de olho nas possibilidades. Foi lá que conheceu o futuro sócio. A oportunidade de se aprimorar em um programa de aceleração da Google a levou para uma temporada de 10 meses em São Francisco, nos Estados Unidos. Permaneceu mais dois meses no Vale do Silício e fez um curso em Stanford. Sua startup desenvolve games como ferramentas de inovação para empresas, com simulação de ideias e captação de investimentos. De disrupção — palavra-chave da nova economia fomentada pela internet, descrita como "interrupção do curso normal de um processo" —, a executiva que trocou literalmente um emprego das arábias pelas incertezas do próprio negócio entende.
 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL - 19/04/2018Eduardo Lannes tirou um ano sabático
Eduardo Lannes trabalhava num banco quando, perto de completar 30 anos, resolveu viajarFoto: Felipe Carneiro / Diário Catarinense
O conceito de dar uma pausa no batente por um período para refletir, aprender algo ou simplesmente cultivar o ócio tem origem nas universidades americanas no século 19, que concediam licenças aos professores para reciclagem e aperfeiçoamento. A origem do termo vem do sabá judaico, o dia de descanso, correspondente ao sábado. O Torá, livro sagrado dos judeus, estabelece que a cada seis anos de cultivo da terra, o sétimo será sabático, isto é, dedicado à recuperação do solo. No mundo corporativo, a liberação de um funcionário para outra finalidade que não fosse gerar lucro ao patrão ocorreu a partir da década de 1950.
Segundo levantamento feito pela empresa de recrutamento Robert Half, 73% das companhias no mercado brasileiro não oferecem períodos sabáticos (ainda que não remunerados) aos empregados, embora 86% dos 900 gestores consultados admitirem que gostariam de ter um tempo desses. A amostragem, de 2012, serve para atestar como a prática é rara no país. A multinacional suíça onde Fabiele trabalhava também não tinha essa política, mas deixou as portas portas abertas para que retomasse suas funções. Apesar de não ter topado, ela considera importante que os empregadores pensem mais no tema, nem que seja como incentivo:
— A empresa não pode impedir que o profissional vá. Mas pode garantir que ele volte.
O anseio de parar para reavaliar a vida e a carreira depende do contexto e dos valores individuais. Além disso, estresse, frustração ou saúde influenciam, diagnostica uma das pioneiras em coaching (conjunto de competências e habilidades desenvolvidas para alcançar um objetivo pessoal ou profissional) no país, Richeli Sachetti, há 13 anos no ramo. Baseada em Tubarão, ela atende clientes em todo o Brasil. Seja qual for a motivação para cogitar com mais carinho essa história de "ano sabático", planejamento é fundamental, orienta a especialista.
— Não é fácil. Para não ter que planejar, muitas pessoas vão adiando. Conversar com alguém que fez, saber os detalhes, ajuda muito — diz.
Tomada a decisão, o investimento na empreitada varia conforme o perfil do interessado. Quem não tem tanta "necessidade de segurança", observa Richeli, requer menos dinheiro. Outros preferem conquistar a independência financeira antes, para não ter que se preocupar durante e depois. O essencial é curtir o processo, não importa que saia do papel em um, dois ou cinco anos. O prazo, ressalta a coach, contribui para a preparação e já deflagra toda uma mudança de paradigmas.
— É uma sensação de empoderamento, de saber que tem a liberdade. Não precisa ser amanhã, não precisa largar tudo, mas com uma estrutura de organização de ideias, de compreensão dos sentimentos, de autoconhecimento. Tudo começa a ter mais propósitos.
Nas férias, o gerente de conta Eduardo Lannes sempre viajava para algum lugar diferente. Mas queria ir para mais lugares por mais tempo, conhecer culturas, ganhar experiências. Em 2012, prestes a entrar para o time dos trintões, dos quais oito trabalhando em uma agência bancária no Rio de Janeiro, bateu o dilema: ou se aventurava de uma vez ou ficaria para sempre imaginando como seria se tivesse reservado um período sabático para si "quando ainda era jovem". Optou pela primeira alternativa. Os preparativos levaram um ano – e envolveram a namorada, com quem se casaria e viria morar em Florianópolis, terra dela.
— Para economizarmos, ela saiu do apartamento em que morava e foi morar comigo no meu quarto-e-sala. Na reta final, conseguimos poupar quase 50% do que ganhávamos — lembra.
Ele abriu mão do cargo e tirou uma licença não remunerada do emprego. O casal comprou uma passagem da modalidade "volta ao mundo", oferecida por algumas companhias aéreas a cerca de US$ 5 mil por pessoa. Eram 16 trechos aéreos, com a condição de partida e chegada serem no mesmo local e o percurso circundar o globo terrestre no mesmo sentido (para completar o giro pelo planeta), com possibilidade de alterar datas sem taxas extras. Por 11 meses, percorreram quatro continentes (Oceania não entrou porque exigiria um desvio no roteiro). Gastaram, diz Lannes, o equivalente ao preço de um veículo.
— Se você quiser passar no luxo, é uma caminhonete importada. Se for passar aperto, é um carro popular. Nosso caso se enquadrou no meio termo: não estávamos rasgando dinheiro, mas queríamos conhecer o maior número possível de atrações.
No regresso ao Brasil, a insatisfação que o inquietava deu lugar a uma "sensação de missão cumprida". Como tinha participação em um hostel no bairro carioca da Lapa, o ex-gerente não retornou ao banco — está licenciado até hoje — e começou a investir nisso. Entre 2013 e 2016, chegou a administrar oito albergues na capital fluminense em sociedade com amigos. Até se mudar para a Ilha, onde atualmente mora no Canto da Lagoa com a mulher, presta serviços de consultoria financeira e se sustenta com a renda de um dos hostels que manteve no Rio.
O que Lannes e Fabiele fizeram, cada um a seu modo, com causas e consequências diferentes, é chamado pela psicóloga que se tornou empreendedora de "aposentadoria não linear". Ela pretendia deslanchar na carreira para, aí sim, com a vida encaminhada, desfrutar. Agora, acredita em trabalhar, ganhar dinheiro, aproveitá-lo para dar vazão a planos que em circunstâncias convencionais seriam considerados impossíveis e depois inventar outra coisa. Como se fosse o fechamento de um ciclo. Mas não o último.
— Se penso em fazer de novo? Claro! – confirma Fabiele.

Artigo, Alcebíades Crawford - Rosinha de Luxemburgo vai a Curitiba



Queridos. Beijinhos vermelhos a todos. Estou indo para Coritiba (escrevo como o time, pois na nomenclatura oficial, a primeira sílaba me faz lembrar loucuras do passado). Vou visitar o meu mandelinha, meu ghandizinho, que encontrei a última vez na casa do Emilio Odebrecht, tomando Petrus. Que finesse, não levantava aquele dedinho como as pessoas vulgares; depois me contaram que ele não tem o dedo por causa de uma aposentadoria, mas isso deve ser invenção do Bolsonaro, aquele milico ciumento.
Eu o conheci numa das festas do Baby Monteiro Aranha quando era acionista da Volks e curtia os sindicalistas de resultado. O Lulinha acertava as greves, negociava o percentual, dizia que teria que manter um tempo parado, para parecer que não estavam de acordo, enquanto as montadoras iam ao governo pedir alguma vantagem fiscal, depois – como já acertado antes – a greve terminava. Não era um pelego qualquer, mas um vison refinado.
Temos muito em comum, ambos somos esquerda fake e adoramos os poderosos; ele agradava fazendo um tipo naif, que enganava os debaixo a serviço dos de cima. Essa coisa de em cima e embaixo me fez lembrar nossa viagem sindical/chic para a Alemanha, com ele e alguns copains convidados pela Mercedes, foi DGS total (Das grossen sakanagem), very, very crazy. Numa orgia num castelo na Floresta Negra, não sei se era aquele dedinho ou um charuto cubano, mas o sindicalismo penetrou em mim para sempre.
Eu, que já coloquei meu Porsche vermelho nas barricadas de Paris em 68, sempre fui gauche, assim como meus amiguinhos da Lei Rouanet que encontro na Rive droite, pois é charmoso e a mídia adora. Por isso vou lá protestar, ninguém pode ser preso por corrupção, por receber um triplex no Guarujá. (Que ninguém me ouça, até deveria ser enforcado por breguice superlativa, por querer uma coisa horrível daquelas). Corrupção não é crime, basta a gente ficar repetindo, aprendi isso com um prussianozinho chato lá por 1938, quando eu ainda era estudante.
Só espero não ter que encontrar aquela muquirana que fez plástica barata e ficou com nariz-de-cheirar-peido, nem aquela maluca búlgara irritada e irritante que confunde micose com maionese. Busquei minha estrela vermelha com rubis que comprei na Van Cleef, mas vou mentir para a militância que é bijuteria. Por isso me aguardem no camping vermelho de Coritiba. Passei duas semanas no sol em Mykonos e estou negríssima e lá no meio das barracas, vou tirar a roupa e já combinei com o Sebastião Salgado para me fotografar assim. Quero figurar na imprensa internacional, para causar ciúmes no Jet set.
Estou indignada, esse juiz cafona que usa camisa escura – não digo o nome dele - bloqueou os cartões de crédito que eu tinha do Instituto Lula, num acerto da OAS com o Okamoto. O Renan me conseguiu um jatinho e o Youssef vai me buscar no aeroporto, ele vai trocar alguns euros para mim, como sempre fez para os nossos amigos.
Vai comigo um perfumista francês maravilhoso, vou abandonar minha antiga fragrância, por uma nova que ele quer lançar lá em Coritiba, o nome é ótimo: “Corruption”; vou dizer para as companheiras do grelo-duro (odeio essas palavras, mas ele gosta...), que podem usar “corruption”, mas mentir que é “persecutión politique”, que é bem chique e pega muito melhor... Irei passar no corpo quando for até a carceragem. Se conseguir entrar e encontrá-lo, sou capaz até de fazer uma felação premiada.        

Um partido transformado em seita

Um partido transformado em seitaAutor: Germano Oliveira e Tábata Viapiana Uma das características marcantes das seitas é a idolatria cega aos seus líderes, elevados a seres especiais com autoridade divina e liderança existencial. Quando o fanatismo invade o terreno político, os programas e as bandeiras partidárias se tornam descartáveis. Cedem lugar à adoração e à reverência, típicas de culto. Os militantes se transformam, então, em indivíduos abnegados, desprovidos de espírito crítico e freios morais. Ao acreditarem na infalibilidade dos caciques por eles venerados, a ponto de incluírem a alcunha deles em seus nomes, mesmo quando condenados e presos por corrupção, os "fiéis" exibem traços de fundamentalismo.

Foi o que o Brasil testemunhou nos últimos dias, em meio ao espetáculo deprimente em que se transformou a prisão de Lula e os dias que a sucederam. No domingo 8, com o petista já encarcerado na sede da PF em Curitiba, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, parecia cumprir uma liturgia ecumênica. Como se exortasse o rebanho a adorar seu "deus", ela pronunciava frases repetidas como um mantra. "Não vamos sair daqui", ditava Gleisi. "Não vamos sair daqui", copiavam eles. "Ocupar e resistir", ordenava. "Ocupar e resistir", assentia a turba. Até o bordão final, entoado em uníssono: "Eu sou Lula". Semelhante ao cortejo de uma seita, a dispersão se deu vagarosamente.
O líder adorado tinha dado o tom no dia anterior. Segundo ele, a polícia havia prendido seu corpo, não sua mente, como se ele fosse a reencarnação de Jesus Cristo. "Não sou mais um ser humano, sou uma ideia", pregou Lula durante discurso feito horas antes de ser conduzido à cadeia. Ato contínuo, os militantes choravam, gritavam, se embriagavam, literalmente, e transformavam os momentos de tensão da prisão do morubixaba petista num ato de autoimolação. Enfim, compunham uma atmosfera de histeria coletiva. Dois dias depois de dizerem "Eu sou Lula" em frente à PF, Gleisi e mais 36 políticos virariam Lula na prática. Acrescentaram o nome do ex-presidente, outrora apelido, em seus registros parlamentares. Assim, Gleisi passou a se chamar "Gleisi Lula Hoffmann", Paulo Pimenta, "Paulo Lula Pimenta" e assim sucessivamente. Impressionados com a reação dos petistas, agentes da PF local chegaram a compará-los a seguidores de seitas radicais, como a de Jim Jones, um pastor do Tempo Popular, com orientação socialista, que no auge de sua insanidade ordenou que seus 918 discípulos cometessem o suicídio coletivo em Jonestown em 1979, depois de submetê-los a um intenso processo de lavagem cerebral.

A história da humanidade está repleta de exemplos de que sempre quando a política se mistura com o fanatismo, o resultado é desastroso para a democracia. Quase sempre levam ao totalitarismo. Aconteceu em Cuba, com Fidel Castro, e na Venezuela, com Hugo Chávez, agora replicado por seu herdeiro Nicolás Maduro. Lá, a manipulação popular acabou empurrando o país ao caos social. Na Europa, o fanatismo aliado à política descambou no fascismo de Benito Mussolini na Itália e no nazismo de Hitler, na Alemanha da década de 40. O saldo não poderia ter sido mais funesto: milhões de judeus foram asfixiados em câmeras de gás por discordarem de um louco varrido. Daí o perigo desse comportamento tão alucinante quanto oportunista.
Os dirigentes petistas parecem não se importar com isso. A ordem é manipular as massas na tentativa de regressar ao poder a todo custo, nem que seja para levar o País ao abismo econômico e social, como ocorreu durante o governo Dilma Rousseff. Por isso, nos últimos dias, fizeram de tudo para ampliar a atmosfera mística em torno da prisão de Lula, que em carga de dramaticidade e holofotes lembra em muito o episódio da detenção do ex-jogador de futebol americano O.J. Simpson, televisionada ao vivo para todo País. Para manter a toada de culto ao personagem, pela manhã, liderados por Gleisi Hoffmann, os mil manifestantes que acampavam nas imediações da PF, passaram a gritar: "Bom dia companheiro Lula". As saudações se repetiam à tarde e à noite, antes do repouso do petista. O PT também deslocou o QG do partido para Curitiba. A sigla anunciou que estava transferindo sua sede nacional, que funciona em São Paulo, para a capital paranaense na segunda-feira 9. No mesmo dia, aproveitou para promover uma reunião da Executiva Nacional para reafirmar que "Lula será o candidato do PT a presidente", mesmo preso, mesmo à revelia da lei da Ficha Limpa. Ao abandonarem seus gabinetes em Brasília e se instalarem permanentemente na cidade, senadores, como Roberto Requião (MDB), além de Gleisi e Lindbergh, praticamente passaram a dar expediente na porta da cadeia. Como cada senador custa para a União R$ 1,2 milhão por ano, segundo levantamento da Transparência Brasil, se eles ficarem um mês por lá, como prometem, o País estará desperdiçando uma verdadeira fortuna.

Na terça-feira 10, o PT ainda atraiu para Curitiba nove governadores da oposição, entre os quais quatro da legenda: Camilo Santana (Ceará), Rui Costa (Bahia), Wellington Dias (Piauí) e Tião Viana (Acre). Tudo para reverenciar o preso Lula. Eles chegaram a exigir que pudessem visitar o petista na cela especial, onde passa os dias vendo TV, lendo livros, comendo marmita, pão com manteiga e tomando café preto, mas bateram com a cara nos portões da PF de Curitiba. O pedido foi negado, por contrariar a legislação. Gleisi ainda tentou ludibriar o juízo ao incluir seu nome na lista de visitantes na condição de advogada.
Ocorre que, além de não exercer o ofício há mais de uma década, Gleisi está com a carteira da OAB suspensa. Segundo a PF, além dos causídicos, até quatro parentes de primeiro e segundo graus podem fazer visitas aos presos às quartas-feiras, em um período pela manhã e outro à tarde. A Lei de Execução Penal diz que cônjuges, companheiros, parentes e amigos podem visitar presos "em dias determinados". Apesar da insistência, o juiz Sergio Moro negou condições especiais para visitas ao ex-presidente. O magistrado determinou que Lula se submeta às mesmas condições de outros condenados – nada mais do que justo.
No final da semana, um grupo de senadores conseguiu driblar Moro: aprovaram na Comissão de Direitos Humanos da Câmara uma diligência à sede da PF em Curitiba para visitar as instalações da carceragem, incluindo a cela onde o petista está preso.
Dez senadores compõem a lista. Os chefes dos Executivos estaduais, no entanto, seguem impedidos de entrar na carceragem. Barrados no baile, os governadores deixaram uma carta escrita de próprio punho, que chamaram de "registro de indignação". O curioso é que ninguém se indignou quando Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, encontrava-se na mesma situação. Palocci permanece preso, sem regalias, sem que ninguém do PT chore por ele e em tratativas avançadas para uma delação premiada, mas essa é outra história. Enquanto os petistas ensaiavam mais um discurso de vítima, o braço armado da legenda, o MST, promovia mais uma de suas arruaças. Desta vez, com indícios de crime. Na quarta-feira 11, por volta das 18h, centenas de militantes do movimento Sem-Terra invadiram o Call Center da Riachuelo, em Natal (RN), anunciando que a ação acontecia em nome da liberdade de Lula. O empresário Flávio Rocha, dono da empresa e pré-candidato a presidente da República pelo PRB, já havia sido alvo de outra invasão semelhante numa fábrica da empresa no Rio Grande do Norte, ocasião em que disse tratar-se de atos "de terroristas e baderneiros".
Sempre quando a política descamba para o fanatismo, o resultado é desastroso para a democracia. Venezuela é um exemplo
A verve messiânica de Lula vem de longe. Em 2010, logo que deixou o governo, o petista usou a imagem do filho de Deus para dizer que foi vítima de traições no governo. "Se eu pudesse exibir uma imagem das punhaladas que levei e pudesse tirar a camisa, meu corpo apareceria mais destroçado do que o de Jesus". Em 2005, no auge do mensalão, ele declarou ser "um homem sem pecados", tentando eximir-se da lama em que outros dirigentes petistas se meteram. Depois, se descobriu que Lula tinha sim ciência do esquema. Em depoimento à Justiça em 2017, ele se saiu com essa heresia: "De vez em quando, eu fico pensando que as pessoas tinham de ler mais a Bíblia para não usar tanto meu nome em vão". Mas Lula não se restringe a se considerar um ser divino. Não raro, o ex-presidente refere-se a ele mesmo na terceira pessoa, como se fosse uma entidade superior, acima do bem e do mal. "O Lula não é o Lula. O Lula é uma idéia, assumida por milhões de pessoas. E eles não sabem que o Lula já renasceu em milhões de mulheres e homens". Num evento em Belo Horizonte, classificou ele próprio como um ser distinto dos demais: "Eles estão lidando com um ser humano diferente. Porque eu não sou eu. Eu sou a encarnação de um pedacinho de célula de cada um de vocês". Em agosto do ano passado, o PT já havia cimentado uma imagem de Lula ligada à santidade durante a caravana do ex-presidente pelo Nordeste. No material de divulgação do partido, Lula era tratada como o "pai" dos nordestinos. As imagens da caravana abusavam da estética religiosa, ao exibir Lula sendo "tocado" pelo povo – como os fiéis tentam fervorosamente alcançar a imagem de santos nas procissões.

Um mês depois, em setembro, o ex-ministro Antonio Palocci, que conhece como as coisas funcionam no seio do PT, sapecou. "Afinal, somos um partido político sob a liderança de pessoas de carne e osso ou somos uma seita guiada por uma pretensa divindade?", questionou ele em sua carta de desfiliação do PT. O ex-ministro sabe como ninguém que o petismo cooptou os chamados movimentos populares e acenou para os pobres com um outro mundo possível, fazendo tabula rasa das dificuldades que outros governantes enfrentaram, atribuindo-as à falta de competência ou de vontade. Pelo receituário petista, só o "deus" Lula seria capaz de levá-los a terra prometida, com desenvolvimento econômico, igualdade social e oportunidade de trabalho para todos. Uma farsa, por óbvio, cujos pilares desmoronaram como um castelo de cartas durante os anos do PT no poder e foram de vez aniquilados com a descoberta da corrupção institucionalizada.
O ex-deputado, ex-militante de esquerda e jornalista Fernando Gabeira foi um dos primeiros a relacionar a política a aspectos sectários. Em seu livro de memórias Onde Está Tudo Aquilo Agora? – Minha Vida na Política, ele narra as desventuras da militância de esquerda como se relatasse os descaminhos de uma seita primitiva. Em trechos da obra, Gabeira associa o engajamento político ao fanatismo de crentes. "Minha experiência tinha um ardor religioso", disse ele sobre o período em que mergulhou na clandestinidade. Herbert José de Sousa, o Betinho, não raro usado como bandeira em programas eleitorais do PT da década de 90, também já falava sobre o irracionalismo que permeava a militância partidária fanática. "É equívoco pensar que a esquerda (àquela altura representada pelo PT) é antirreligiosa. A tendência é ser religiosa. Porque ela deriva de um padrão dogmático". Mesmo sendo cristão, o filósofo e pai do liberalismo John Locke já dizia, no século XVII, que a assistência moral era mais importante para o povo do que os dogmas. O lulopetismo preferiu o segundo, agora sabemos por que.
O santo do pau oco
Nos discursos proferidos por Lula, ele se compara a Jesus Cristo
"Sou um homem sem pecados"
"Se eu pudesse mostrar uma imagem das punhaladas que levei e tirar a camisa, meu corpo apareceria mais destroçado do que o de Jesus"
"Não sou mais um ser humano, sou uma ideia"
"Não tem viva alma mais honesta do que eu"
"De vez em quando, eu fico pensando que as pessoas tinham de ler mais a Bíblia para não usar tanto meu nome em vão"
"O Lula não é o Lula. O Lula é uma idéia, assumida por milhões de pessoas. E eles não sabem que o Lula já renasceu em milhões de mulheres e homens"
"Eles estão lidando com um ser humano diferente. Porque eu não sou eu. Eu sou a encarnação de um pedacinho de célula de cada um de vocês"
Enquanto isso... o povo incauto
Regalias sem fim
Lula está preso na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba desde sábado 7, mas ainda não viu o sol nascer quadrado, como se diz no jarguão policial. Afinal, sua suíte, com 15 metros quadrados, banheiro privativo, chuveiro quente, quarto com cama e colchão macio, mesinha, não tem grades. No primeiro dia, exigiu também um aparelho de televisão para ver o jogo do Corinthians, time do coração. No domingo 8, pôde comemorar o título na companhia do advogado Cristiano Zanin. Lá, come bem. O cardápio é variado: café com leite, pão com manteiga às 6h. Almoço às 11h, com arroz, feijão, macarrão, carne, salada. O mesmo no jantar, servido às 17h. Não satisfeito com as mordomias, fez uma série de outras exigências: um cozinheiro de sua confiança; a participação dos oito seguranças da PF que ele ainda desfruta por ser ex-presidente na guarda de sua cela e que ele tivesse uma academia de ginástica para se exercitar. A juíza federal Carolina Lebbos autorizou a benesse. Terá também água gelada. No final da semana, o juiz Sergio Moro bateu o martelo: nada mais será autorizado. Se comparadas as mordomias de Lula com a situação dos demais presos da Lava Jato, que já são especiais, o petista vive num hotel cinco estrelas. Já frente à realidade dos 720 mil presos do sistema penitenciário brasileiro, era como se Lula estivesse num SPA de luxo.

O MUNDO TOMARÁ CONHECIMENTO DOS REAIS FATOS... ENFIM...

Agradeço ao OJBR, e repasso matéria que deve ser levada ao conhecimento do maior número possível de pessoas. E não deixe de assistir ao vídeo anexo. Finalmente a imprensa internacional desmascara LULA e a organização criminosa que está por trás dele; a verdade prevalece e prevalecerá. João Antonio Pagliosa
O MUNDO TOMARÁ CONHECIMENTO DOS REAIS FATOS... ENFIM...
PT é visto como organização criminosa por líderes mundiais, após EUA divulgar ao mundo a corrupção de seus membros.
O ex-presidente Lula já passou a ser visto mundialmente como um criminoso contumaz a partir da terceira denúncia criminal contra ele ter sido acolhida pela Justiça brasileira. A imagem do petista piorou ainda mais, após ele ter se tornado réu em nada menos que cinco ações criminais, em um intervalo de menos de um ano.
Após a revelação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre os detalhes sórdidos contidos no acordo de cooperação entre a justiça brasileira, a Odebrecht, a Braskem e a justiça americana, não apenas o ex-presidente Lula foi exposto mundialmente como um criminoso, mas também a ex-presidente Dilma Rousseff e todo o PT, partido que comandou o maior esquema de corrupção mundial no Brasil ao longo de treze anos.
Segundo o documento divulgado pela justiça americana, a Braskem pagou 50 milhões de reais em propinas para a campanha da ex-presidente Dilma Rousseff, mas o dinheiro roubado do povo foi novamente roubado pelos membros do PT, como Lula, Palocci e Guido Mantega.
O Departamento de Justiça americano deu um show de transparência ao resto do mundo ao divulgar, com objetividade e rapidez as informações consolidadas contidas no acordo. Na verdade, estes são os três pilares da justiça nos Estados Unidos: transparência, objetividade e rapidez, algo que deveria ser motivo de vergonha para o Supremo Tribunal Federal, STF.
A transparência nos casos envolvendo corrupção que afetam o cidadão americano, que investiu seu dinheiro na Odebrecht, na Brasken e nas, empresas corrompidas pelo PT de Lula e Dilma, também é uma lição aos jornalistas de aluguel e críticos da Lava Jato, que exigem sigilo sobre as investigações que lesaram os brasileiros em trilhões de reais ao longo dos últimos anos.
A divulgação das informações envolvendo a corrupção do ex-presidente Lula, de sua sucessora Dilma Rousseff e de boa parte dos gabinetes dos governos do PT revelaram ao mundo que o partido é de fato uma organização criminosa.
Finalmente a imprensa estrangeira divulga os fatos como eles são.

Bomba da Segunda Guerra é desarmada em Berlim


Segundo a polícia, foram cerca de 10.000 pessoas retiradas do local.
Segundo a polícia, foram cerca de 10.000 pessoas retiradas do local.
As forças de segurança de Berlim desarmaram com sucesso nesta sexta-feira, (20), uma bomba britânica de 500 kg da época da Segunda Guerra Mundial após evacuar parte do centro da capital alemã.
Tratou-se de uma das mais importantes evacuações em massa ocorridas no centro da cidade desde 1945 para permitir a desativação de uma bomba.
"Bom trabalho! A bomba foi desarmada. Todo mundo pode voltar ao seu prédio", escreveu no Twitter a polícia de Berlim, compartilhando uma foto da bomba sendo retirada e colocada em um palet de madeira.
O artefato, encontrado por operários de uma obra no coração da capital alemã, havia sido classificado de seguro pela polícia.
Mas as autoridades decidiram evacuar todos os prédios em um perímetro de 800 metros ao redor do lugar em que a bomba foi achada.
A polícia local se assegurou que todos os moradores abandonassem suas casas antes que a operação fosse iniciada.
Segundo a polícia, foram cerca de 10.000 pessoas retiradas do local.
Os berlineses tiveram de se adaptar à situação, mesmo os que moram longe da zona afetada.
Fortes perturbações foram registradas nos transportes pelo fechamento da principal estação de trem da cidade, utilizada diariamente por 300.000 pessoas e situada dentro do perímetro da evacuação.
Os trens não puderam parar na zona afetada, cujos acessos foram fechados pela polícia.
"Não sabia nada sobre esta bomba", declarou Yamamoto, um turista japonês procedente de Nagoya, surpreso com os procedimentos de evacuação.
O tráfego foi completamente interrompido, pois também foram fechadas as estações de bondes, ônibus e metrô.
A operação de desativação obrigou à evacuação de diversos prédios públicos, como o ministério da Economia, dos Transportes, um hospital militar, o gigantesco complexo em obras dos Serviços de Inteligência (BND), o Museu de Arte Contemporânea Hamburger Bahnhof e o Museu da Medicina.
"A bomba de 500 kg, que não explodiu na época, mede cerca de 110x45 cm, portanto é um objeto bastante imponente, que, potencialmente, pode causar muitos danos à cidade. Por isso, estamos sendo muito prudentes, usando profissionais altamente qualificados", explicou um porta-voz da polícia berlinesa, Winfrid Wenzel.
- Impressionante, não excepcional -
Por mais impressionante que pareça a operação de evacuação, a Alemanha está acostumada a essas situações, já que as descobertas de bombas da Segunda Guerra são muito correntes no país.
Os artefatos lançados pelos aliados durante o conflito e que não explodiram causam sempre operações impressionantes.
A maior evacuação deste tipo desde 1945 aconteceu em setembro de 2017, em Frankfurt, onde foi descoberta uma enorme bomba britânica com uma carga explosiva de 1,4 tonelada. Cerca 65.000 habitantes se viram afetados pela operação de retirada.
Apesar de, no geral, ser possível desativar esses artefatos, em alguns casos é preciso proceder a uma explosão controlada.
Berlim sofreu intensos bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial - principalmente na primavera boreal de 1945 - que destruíram um terço dos prédios da cidade e deixaram dezenas de milhares de mortos.
Desde então, foram descobertas milhares de bombas e, segundo os especialistas, cerca de 3.000 artefatos continuam ocultos no subsolo berlinês.
A parte da cidade afetada pela retirada nesta sexta-feira é uma zona que cresceu muito desde a queda do Muro de Muro de Berlim em 1989.
Situado perto da antiga fronteira entre as partes oriental e ocidental de Berlim durante a Guerra Fria, o bairro acolheu, depois da reunificação, vários ministérios, administrações, escritórios e embaixadas.
O lugar onde a bomba foi encontrada está a algumas centenas de metros do centro político e turístico da cidade, em particular do ministério das Relações Exteriores e do Reichstag, a sede do Parlamento alemão.

Você sabia que os advogados é que salvaram o mundo?


Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+
Resultado de imagem para advogado charges
Charge do Duke (dukechargista.com.br)
Merval Pereira
O Globo

Num momento em que os advogados estão na berlinda, tão criticados quanto necessários nesses tempos de Lava Jato, o advogado José Roberto Castro Neves não faz por menos. Em livro recém lançado, ele simplesmente defende a tese de que os advogados salvaram o mundo, como está explicitamente no título da obra.
Na opinião arrebatada de outro advogado, Técio Lins e Silva, o livro é uma legítima defesa dos advogados, que os magistrados e membros do Ministério Público deveriam ler. Embora não fale da Lava Jato, José Roberto a considera obra de advogados idealistas, jovens que decidiram enfrentar o sistema, como tantos outros advogados idealistas no passado, que buscavam um mundo mais justo e correto.
ESPERANÇA – No fundo, avalia José Roberto, os valores que animam os procuradores, membros do Ministério Público, delegados da Polícia Federal e juízes, a fim de desbaratar a corrupção no país, são os mesmos que motivaram Calvino, Cromwell, Jefferson, Danton, Gandhi ou Mandela, todos advogados, contra injustiças que encontraram. “A mensagem é de esperança”, acredita o autor.
José Roberto tem uma visão humanista de sua profissão, vê como indispensável ao bom advogado a literatura, a história, as artes, sobretudo define o advogado como aquele que, além de falar pelo outro, deve colocar-se no lugar do outro que representa.
Especialista em Shakespeare, tem um estudo sobre a comédia “Medida por Medida” em que analisa o Direito à luz dos desdobramentos da peça. E participou de uma antologia de textos de advogados sobre Shakespeare, escrevendo sobre os canalhas que aparecem em suas pecas e como eles são nossos conhecidos até os dias de hoje.
CONTRIBUIÇÃO – “Como os Advogados Salvaram o Mundo” busca retratar a contribuição da advocacia para a Humanidade e não deixa por menos: os advogados não apenas formaram e modelaram a civilização, mas “salvaram o mundo”. O livro trata, a rigor, de como o homem se relaciona com o arbítrio. A tese, na definição do autor, é a de que os advogados, pela sua atividade, são os primeiros a se confrontar com um estado autoritário.
Em função disso, historicamente, lideraram os movimentos que visavam a assegurar as garantias fundamentais, como a liberdade, a possibilidade de manifestar as opiniões, a isonomia do tratamento, assim como evitar os desmandos dos poderosos (opondo-se, também, à corrupção).
Foi assim com a Revolução protestante – pois Lutero estudou Direito e Calvino era advogado. Foi assim com o movimento iluminista – Descartes estudou Direito. Montaigne e Montesquieu também. Nas revoluções que movimentaram a Inglaterra, os advogados estavam à frente: Cromwell era advogado, assim como toda a sua família.
EUA E FRANÇA – A revolução americana foi toda obra de advogados. José Roberto lembra ainda que, tirando Washington – um militar, pois era necessário expulsar os Ingleses –, todos os demais “founding fathers” eram advogados. Adams, Jefferson, Madison, Hamilton. A Declaração de Independência é um documento jurídico – um libelo contra o rei inglês. A Constituição americana – a primeira desse tipo e a mais longeva – é outro instrumento jurídico que moldou toda a civilização.
A Revolução francesa serve de outra prova de que os advogados estavam no comando desses movimentos: Robespierre, Danton, Saint-Just entre muitos outros advogados comandaram os acontecimentos. A Declaração dos Direitos Universais segue um modelo jurídico. Mais recentemente, outros advogados, como Gandhi e Mandela fizeram toda a diferença, sempre partindo de modelos jurídicos.
E NO BRASIL – José Roberto Castro Neves inclui o Brasil em sua história da advocacia, lembrando advogados importantes como José Bonifácio de Andrada, o Patriarca da Independência, formado em direito em Coimbra, destino da elite na colônia. Aliás, lembra ele, antes, todos os poetas e líderes da Inconfidência Mineira também eram advogados formados em Portugal, pois não havia universidades no Brasil colonial, quando nos Estados Unidos já havia várias.
A classe se envolveu mais no movimento abolicionista e nas campanhas civilistas, nas quais Ruy Barbosa teve posição proeminente. Prudente de Moraes deixou a presidência para reassumir sua banca de advogados em Piracicaba. Getúlio Vargas também era advogado. Hoje – depois de um hiato – temos outro advogado no poder.
Embora não houvesse uma participação direta de advogados na nossa formação, José Roberto Castro Neves lamenta que somos chamados – de forma depreciativa – de o país dos Bacharéis. E registra a seguinte estrofe de autoria desconhecida: Quando Deus voltou ao mundo, / Para castigar os infiéis, / Deu ao Egito gafanhotos / E ao Brasil deu bacharéis…
Posted in |

Presidenciáveis enfrentam mais de 160 processos e inquéritos judiciais


Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+
Resultado de imagem para lula preso charges
Charge do Simanca (Arquivo Google)
Ranier Bragon , Camila Mattoso e Laís Alegretti
Folha
Pelo menos 15 dos 20 políticos cotados para disputar a Presidência da República em outubro são alvo de mais de 160 casos em tribunais do país inteiro. De Lava Jato a barbeiragem no trânsito, há investigados, denunciados, réus, condenados e um preso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera as pesquisas eleitorais.
Levantamento feito pela Folha nos tribunais superiores, federais e estaduais mostra que a Lava Jato e suas derivações, além de outras investigações de desvio, são pedras no sapato de ao menos oito presidenciáveis.
NA LAVA JATO – Esse pelotão é liderado por Lula, condenado a 12 anos e um mês; o presidente Michel Temer (MDB), alvo de duas denúncias e de duas investigações em andamento; o senador e ex-presidente Fernando Collor (PTC), réu na Lava Jato e alvo de outros quatro inquéritos, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), investigado em dois inquéritos na maior operação de combate à corrupção da história do país.
Com exceção de Lula, que tem até 31% das intenções de voto, Temer, Collor e Maia não ultrapassam 2%, segundo o Datafolha. A condenação e prisão praticamente inviabilizaram a candidatura de Lula, mas o PT afirma que fará o registro do ex-presidente na disputa. Nos bastidores, no entanto, são cogitados para substituí-lo o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o ex-governador da Bahia Jaques Wagner.
Sobre Haddad, há uma investigação aberta por suposto caixa dois, em decorrência da delação do empresário Ricardo Pessoa, da UTC. Em relação a Wagner, ele foi alvo recentemente da Operação Cartão Vermelho (que apura suspeita de propina na reforma da Arena Fonte Nova). Outros dois outros casos foram enviados para o juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato no Paraná.
ALCKMIN – O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) teve seu caso enviado para a Justiça Eleitoral, o que o tirou da mira imediata da Lava Jato.
Nesta sexta (20), o Ministério Público de São Paulo afirmou que também irá investigar se o tucano cometeu improbidade administrativa no episódio, que é a suspeita de recebimento caixa dois de mais de R$ 10 milhões. Delatores da Odebrecht afirmam ter direcionado o dinheiro à campanha do tucano ao governo paulista em 2010 e 2014.
Tanto Alckmin quanto Haddad são alvos também de ações por questões administrativas, motivadas pela passagem de ambos pelo comando do Executivo paulista e paulistano. O ex-prefeito, por exemplo, responde a ação do Ministério Público por suposta falta de planejamento na construção de ciclovias. O tucano é alvo, entre outras, de ações da bancada do PT sob o argumento de ilegalidades em licitações e outras ações de governo.
PAULO RABELLO – Outro investigado é o ex-presidente do BNDES Paulo Rabello de Castro (PSC). Como representante de uma empresa de qualificação de risco, ele foi alvo de quebra de sigilo bancário e fiscal e depôs em investigação sobre possíveis fraudes em investimentos do fundo de pensão dos Correios, em fevereiro.
Um segundo grupo de presidenciáveis responde por declarações que podem ser consideradas crime. É puxado por Jair Bolsonaro (PSL), um dos líderes na corrida ao Planalto na ausência de Lula (17%). O deputado responde a duas ações penais no STF sob acusação de injúria e incitação ao estupro, além de uma denúncia por racismo por palestra em que criticou quilombolas — na área cível, Bolsonaro foi condenado nesse último caso, em primeira instância, a pagamento de indenização de R$ 50 mil. Ele recorreu.
ESTUPRO – As acusações de incitação ao estupro são motivadas por um bate-boca em 2014 com a deputada Maria do Rosário (PT-RS). Bolsonaro disse, na ocasião, que não a estupraria porque ela não merece.
“O emprego do vocábulo ‘merece’ (…) teve por fim conferir a este gravíssimo delito, que é o estupro, o atributo de um prêmio, um favor, uma benesse à mulher, revelando interpretação de que o homem estaria em posição de avaliar qual mulher ‘poderia’ ou ‘mereceria’ ser estuprada”, diz parte do acórdão da 1ª turma do Supremo ao acolher em 2016 a denúncia.
Ciro Gomes (PDT) é o campeão, em volume, de casos na Justiça. Ele acumula mais de 70 processos de indenização ou crimes contra a honra, movidos por adversários. Temer, chamado de integrante do “lado quadrilha do PMDB”, é um deles. Ciro foi condenado em primeira instância e recorreu.
MAIS PROCESSOS – Outros adversários que o processam são Bolsonaro (chamado de “moralista de goela”), os tucanos José Serra (“candidato de grandes negócios e negociatas”) e João Doria (“farsante”), e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (“pinotralha, uma mistura de Pinóquio com Irmão Metralha”). O pedetista tem 9% das intenções de voto.
O ministro aposentado do STF Joaquim Barbosa (PSB), que chega a 10% das intenções de voto, foi condenado por danos morais por ter dito que um jornalista “chafurdava” no lixo. Cabe recurso.
A Folha localizou ainda casos como o de Guilherme Boulos (PSOL). Além de processos relacionados ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, do qual é líder, ele teria batido em setembro na traseira de uma moto, arremessando-a contra a traseira de outro carro, segundo o boletim de ocorrência.
EM SIGILO – O número de investigações e processos pode ser maior porque o levantamento não inclui ações em segredo de Justiça, processos trabalhistas e eventuais ações movidas na Justiça de primeira instância de estados que não são os de origem ou atuação política do presidenciável. Há também tribunais que dificultam o acesso público.
Guilherme Afif (PSD) disse que só respondeu a duas ações na área cível, sendo uma extinta. A outra, de propaganda política irregular, está na “fase de apuração do valor a ser ressarcido por oito requeridos.” Aldo Rebelo (SD) foi processado pelo ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, que tentou censurar um livro sobre CPI que envolveu a entidade. O STJ revogou em 2017 a censura que fora acolhida.
OUTROS CASOS – Alvaro Dias (Podemos) figura em antiga ação de execução do INSS. Sua assessoria jurídica disse que as peças do processo não estão disponíveis. E a Folha encontrou no nome de Henrique Meirelles (MDB) dois casos. Sua assessoria afirmou que se referem a cobrança de indenização por evento que ele não compareceu, mas que o ex-ministro ganhou as causas. A assessoria não respondeu se há outras ações.
Marina Silva (Rede) e João Amoêdo (Novo) afirmaram que não respondem a processos.
Posted in |

Cientista político afirma que Lula está mantendo “a esquerda sitiada”


Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+
Wanderley dos Santos faz análise da eleição
Jeferson Ribeiro
O Globo

A sociedade ainda está polarizada, mas agora não apenas na política. Essa polarização avançou para o choque de valores, de culturas e de comportamento e cria um cenário perigoso para a democracia na avaliação do cientista político Wanderley Guilherme dos Santos. Segundo ele, a esquerda está “sitiada” pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde o início do mês, porque ele não abre as negociações para um candidato único no campo. O experiente especialista desmistifica ainda o papel dos “partidos de aluguel” ou “nanicos”, um dos temas de seu novo livro ‘A difusão parlamentar do sistema partidário’.
Mesmo com um cenário bastante incerto para a disputa presidencial, o que é possível prever para os próximos meses?
Primeiro vamos de Lula. Ele é uma figura carismática indestrutível, mas isso não significa que permanecerá com essa capacidade eleitoral. Nem todos que dizem votar no seu indicado, votarão. Mas o Lula tem que tomar decisões importantes nos próximos meses. Primeiro, terá de decidir se não será mais candidato. Uma segunda decisão relevante é se realmente vai apoiar alguém. Terceiro, quem será o escolhido. Essas três questões vão chacoalhar o quadro de hoje. Não sei se a polarização está morta, talvez a que exista entre PT e PSDB, sim. Mas pode acontecer com outros nomes.

Qual deveria ser a estratégia da esquerda?
Eu acho que a esquerda devia estar discutindo um outro candidato. Mas isso depende do Lula. Não há outro caminho e isso pode gerar o acirramento desse radicalismo, esse sebastianismo evangélico do PT, contra uma alternativa bastante interessante que é Ciro Gomes. Esse silêncio pode criar a inviabilidade de um acordo entre as forças lulistas e o Ciro e tem a capacidade de dividir a esquerda. E ele é o cara ideal para entrar em disputa com os conservadores, ele é um cara que tem tutano para fazer isso. O Jaques Wagner e o (Fernando) Haddad são ótimos quadros, mas não para o contexto desse debate duro. O Lula, para meu desgosto, manteve toda a esquerda sitiada. Está presa junto com ele. Então, a chance de vitória da direita, em tese, é maior. O problema da direita é que não tem candidato. Por isso, se o Joaquim Barbosa for candidato, eu acho que herdará os votos da direita. Ele é um homem para o momento, assim como o Ciro. A eleição será dura. Antes da prisão do Lula e do aparecimento do Joaquim, eu achava que a esquerda poderia levar fácil. Agora, a coisa muda de figura.

Qual o tamanho do impacto da prisão de Lula para esse campo?
Estão desorientados. Sem rumo. A posição majoritária do campo da esquerda é com Lula até o fim. Mas isso não pode ser até o dia 7 de outubro. Acho que está tudo desorganizado desde o impedimento da Dilma (Rousseff). Há uma desorientação grande e um erro estratégico tanto de esquerda quanto da direita. Pior, está se criando um contexto cívico de difícil recuperação. Hoje, não existe uma polarização eleitoral ou sequer partidária, o que há é uma divisão de culturas, de valores, de comportamento, enfraquecendo a direita e a esquerda. Basta ver as manifestações nas redes sociais. A esquerda está fazendo censura tanto quanto a direita. Assassinatos de caráter, falsificações de números e de fatos, um é o espelho do outro. Nunca aconteceu antes. Isso está tornando muito difícil a administração por parte das lideranças políticas, aquelas que ainda estão com um pouco de sanidade, desse período até outubro. Porque tem que chegar até outubro.

O senhor vê risco de não ter eleição?
São coisas que não estão fora do cenário das possibilidades. Por exemplo, um enfrentamento crescente nas ruas entre esquerda e direita, com vítimas, talvez pessoas mortas. Isso seria um pretexto, obviamente oportunista, mas poderiam dizer que não seria possível fazer eleição num contexto assim. Outra possibilidade, a Venezuela. Olhe o pedido de Roraima querendo fechamento da fronteira. Aí o Temer diz que é uma coisa “incogitável”, mas todo mundo sabe que isso não quer dizer nada na boca do Temer. Num contexto desses, parecerá até sensato se dizer que se deve adiar as eleições. Isso pode acontecer.

No seu livro, o senhor lança uma nova abordagem sobre os partidos com menor representação no Congresso, desmistificando a ideia de que as legendas com menos deputados federais são apenas “empresas de aluguel”. Por que temos 35 partidos formalizados no Brasil?
Algumas premissas das análises tem que ser postas à vista. Essa visão de fragmentação total e também do papel desempenhado pelos partidos chamados nanicos ou de aluguel vem de uma visão estritamente de Brasília. Quer dizer, da política nacional ou de representação nacional. Portanto, atribui-se que a política brasileira tem uma fragmentação e na verdade são extrapolações das opiniões de um visão de Brasília. E há ainda outra premissa errada de que os partidos de menor representação são apenas partidos de aluguel. Aliás, as investigações atingem os grandes partidos e não os nanicos. Um dos motivos para a existência de tantos partidos é que os grandes permitem o funcionamento dos pequenos e não conseguem ir onde eles estão. No interior do país, os partidos menores disputam as assembleias e câmara de vereadores e os grandes não. Outro motivo principal foi o financiamento privado das campanhas. Então, respondendo sucintamente: eles existem porque os grandes não vão lá acabar com eles e os grandes não vão acabar com eles porque economicamente e no cálculo eleitoral é interessante que as pequenas legendas existam.

O financiamento publico e individual tem força pra reduzir o número de partidos?
De algumas legendas possivelmente, mas não de todas. Porque não interessa no cálculo dos partidos grandes e médios investir muito em campanhas no interior ou em cidades pequenas se isso desvia recursos de conquistar mais deputados em grandes centros.

O senhor mostra, por exemplo, mais de 85% das legendas elegeram ao menos um parlamentar para 20 assembleias em 2008 e 2012. Ou seja, os brasileiros não se importam se há 35 legendas. É isso?
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Depende, porque se fosse irrelevante os resultados eleitorais seriam profundamente aleatórios e não são. Nem a nível nacional e nem a nível estadual e nem a nível municipal. O eleitor vota distinguindo, por isso você tem ao longo do tempo em todos os níveis do Legislativo um padrão de votação. Muda só marginalmente. Quanto mais urbanizado e denso o município, mais ideologizado é voto. Quanto mais dependente da ação do poder público é a população, principalmente ligada a prestação de serviços, menos ideologizado.

Posted in

Com dívida de R$ 30 milhões, Instituto Lula corre risco de fechar

BOCÃO NEWS
[Com dívida de R$ 30 milhões, Instituto Lula corre risco de fechar ]
22 de Abril de 2018 às 12:50 Por: Divulgação Por: Redação BNews
Após a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia 7 de abril, o imóvel que abriga o instituto que leva o seu nome, em São Paulo, parece ter se transformado num deserto.
Segundo reportagem da revista IstoÉ, que na última semana acompanhou a movimentação no local, pouco mais de dez pessoas entram e saem do sobrado diariamente.
Um deles é Paulo Okamotto, o presidente da instituição que, atolada em dívidas, vive seu ocaso. Antes de Lula ser levado para cumprir pena em Curitiba, a movimentação de petistas e aliados ainda era constante na entidade, mesmo com a Lava Jato em pleno curso.
O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, por exemplo, era um habitué. “Desde que o homem foi embora, acabou”. Essa é a frase repetida pelos taxistas dos dois pontos próximos. Guardadores de carros, manobristas de estacionamentos e garçons testemunham diariamente o esvaziamento do espaço.
Situado em uma rua tranquila, a poucos metros do Museu do Ipiranga, o instituto hoje nem de longe faz lembrar que ali já foi um centro de convergência dos principais líderes políticos do país.