MEDIÇÃO DE TERRA

MEDIÇÃO DE TERRA
MEDIÇÃO DE TERRAS

domingo, 29 de dezembro de 2013

Fruto da Amazônia induz produção de neurônios, diz UFPA


Pesquisadores descobriram propriedade neurogênica no camapu.
Pesquisa é do Grupo de Pesquisas Bioprospecção de Moléculas Ativas.

Do G1 PA

Drupo busca convencer a indústria farmacêutica da viabilidade da droga. (Foto: Alexandre Moraes/Divulgação UFPA)Grupo busca convencer a indústria farmacêutica da viabilidade da droga. (Foto: Alexandre Moraes/Divulgação UFPA)
O camapu, um fruto típico da Amazônia, induz a produção de neurônios. É o que diz pesquisa do Grupo de Pesquisas Bioprospecção de Moléculas Ativas da Flora Amazônica, da Universidade Federal do Pará (UFPA), que descorbriu as propriedades neurogênicas. A planta que dá o fruto tem o nome científico Physalis angulata.
A pesquisa é completamente inédita e mostra que a substância pode ser utilizada para elevar capacidade de raciocício e memória, além de sinalizar possível reversão de morte neuronal, quadro comum em pacientes com depressão, por exemplo. “Isso é uma coisa fantástica! O mundo vem buscando drogas capazes de induzir o crescimento neuronal”, comemora o professor Milton Nascimento, integrante do Grupo de Pesquisa.
“Descobrimos que tanto o extrato aquoso da planta quanto a substância purificada apresentam atividade neurogênica, ou seja, eles estimulam o crescimento de neurônios”, explica o professor, que informa ainda que os os processos de obtenção da substância e farmacológicos já foram patenteados no mercado nacional e internacional.
O grupo tenta agora convencer a indústria farmacêutica da viabilidade de produção da droga, com apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPESP) e do governo do estado. OS pesquisadores Alberto Arruda, Mara Arruda, Consuelo Yumiko, Gilmara Tavares, Raquel Carvalho Montenegro e José Luiz do Nascimento, além dos alunos de Pós-Graduação Danila Alves e Marcos Vinícius Lebrego também fazem parte do grupo.
Descoberta
Por ter sido uma descoberta não esperada, o professor Milton Nascimento compara a descoberta das propriedades do camapu, obtidos pela professora Gilmara Bastos, à descoberta da penicilina por Alexander Fleming, médico escocês.
 “Você faz um experimento olhando para um lado e, de repente, o experimento te revela outro, e foi o que aconteceu, especificamente, com o extrato dessa planta”, explica.
Com a eficácia e a eficiência da droga comprovadas, os pesquisadores aguardam a segunda fase da pesquisa que, segundo o professor Milton Nascimento, é a saída da área acadêmica para a da indústria.
No momento, os pesquisadores envolvidos estão trabalhando para oferecer mais subsídios que irão agregar valor à pesquisa. Depois de comprovados os efeitos da droga, foram levantados questionamentos relativos à capacidade produtiva da planta e a sua sazonalidade, assim como a necessidade da execução de testes clínicos.
Milton Nascimento afirma que o processo se torna ainda mais delicado por se tratar de um produto natural complexo, incapaz de ser sintetizado em laboratório, por exemplo. “Hoje, estamos fazendo o estudo de viabilidade, verificando a capacidade produtiva da planta e sua sazonalidade, com o intuito de saber quanto material orgânico pode ser gerado por hectare plantado”, exemplifica o professor.
De acordo com o pesquisador, para o estudo sazonal da Physalis angulata, é necessário avaliar o metabolismo da planta e identificar, por exemplo, se a substância isolada está presente em todo o seu ciclo vegetativo, em que momento do ciclo é atingido o auge da produção dessa substância e, assim, como observar se há diferença de comportamento nessa produção entre os períodos seco e chuvoso, típicos da região.

Nenhum comentário:

Postar um comentário